Uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 375 milhões com contrabando, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos foi alvo de uma megaoperação deflagrada nesta terça-feira (9) pela Polícia Federal e pela Receita Federal. A ação resultou em dezenas de prisões em sete estados, incluindo a detenção de três policiais rodoviários federais investigados por suposto envolvimento no esquema.
Batizada de Sicarius I e Sicarius II, a ação resultou no cumprimento de 44 mandados de prisão preventiva, 14 de prisão temporária, 62 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios de contas bancárias, cancelamento de CPFs e CNPJs e abertura de procedimentos administrativos contra investigados. As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Federal Criminal de Guaíra, no Paraná.
Entre os alvos da operação estão três policiais rodoviários federais lotados no Paraná, suspeitos de envolvimento no esquema. A Polícia Rodoviária Federal informou que as investigações tiveram origem em apurações internas conduzidas pela Corregedoria-Geral da corporação, que identificou indícios de desvios de conduta e encaminhou o caso às autoridades competentes.
Em Mato Grosso do Sul, os mandados foram cumpridos nos municípios de Nova Andradina, Maracaju, Mundo Novo e Eldorado.
Segundo as investigações, a organização atuava principalmente na região de fronteira entre Brasil e Paraguai, utilizando uma estrutura complexa para transportar cigarros contrabandeados e ocultar os lucros obtidos com a atividade ilícita. O grupo contava com divisão de funções, empresas de fachada, laranjas e mecanismos de ocultação patrimonial para dificultar o rastreamento dos recursos.
As apurações apontam ainda que as movimentações financeiras eram realizadas por meio de um doleiro considerado peça-chave no esquema. De acordo com os investigadores, ele teria movimentado mais de R$ 375 milhões entre 2019 e 2024, sendo mais de R$ 114 milhões em contas bancárias pessoais. O suspeito também seria responsável pelo controle de contas registradas em nome de terceiros e empresas utilizadas para esconder a origem dos recursos.
Além de Mato Grosso do Sul, a operação foi realizada em municípios dos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Pará. Ao todo, participaram da ação cerca de 220 policiais federais, além de servidores da Receita Federal.
A Justiça também autorizou medidas de cooperação internacional para aprofundar as investigações, identificar possíveis ativos no exterior e rastrear integrantes da organização que possam atuar fora do país.
