A deflagração da Operação Compliance Zero, pela Polícia Federal, colocou o senador Ciro Nogueira no centro de uma investigação sobre supostas fraudes financeiras envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e provocou um movimento de silêncio entre lideranças da direita de Mato Grosso do Sul.
O Correio do Estado procurou parlamentares da bancada federal sul-mato-grossense ligados ao campo conservador e integrantes da Federação União Progressista para comentar o caso, mas nenhum deles se manifestou publicamente até o fechamento da reportagem.
Foram acionados os deputados federais Luiz Ovando, Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende, além de Beto Pereira, Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon. Nenhum comentou o assunto.
Também foram procurados a senadora Tereza Cristina, presidente estadual do PP, e o governador Eduardo Riedel, mas ambos não responderam até a conclusão da matéria.
No dia da operação, Tereza Cristina chegou a afirmar que “tudo precisa ser investigado” e defendeu o direito à ampla defesa dos envolvidos. Depois disso, integrantes da direita sul-mato-grossense evitaram novas manifestações públicas sobre o caso.
O silêncio chamou atenção nos bastidores políticos porque parte da bancada costuma reagir rapidamente a operações policiais e denúncias envolvendo adversários políticos. Desta vez, porém, aliados e integrantes de partidos próximos ao comando nacional do PP optaram pela cautela.
Na prática, a postura adotada em Mato Grosso do Sul acompanhou o posicionamento do líder do PP na Câmara, Luizinho. Em declaração ao Correio do Estado, o parlamentar afirmou que a bancada apoia integralmente Ciro Nogueira e acredita que o senador esclarecerá as acusações.
“A bancada apoia de forma unânime o presidente Ciro Nogueira com a certeza de que ele provará que nada fez de ilegal”, declarou.
Sobre possíveis impactos da crise na federação entre PP e União Brasil, Luizinho afirmou que o tema ainda será debatido internamente pelas lideranças partidárias.
A quinta fase da Operação Compliance Zero cumpriu mandados de busca e apreensão relacionados a supostas fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Segundo as investigações, Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais de R$ 500 mil ligados a interesses do banqueiro Daniel Vorcaro.
A operação também teve como alvo Felipe Vorcaro, primo do banqueiro, que foi preso durante a ofensiva policial.
De acordo com as apurações, a empresa BRGD S.A., ligada à família Vorcaro, realizava transferências para a CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda., apontada pelos investigadores como veículo patrimonial ligado ao senador.

