O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva durante audiência de custódia realizada na manhã desta quarta-feira (25). Ele é acusado de matar a tiros o fiscal tributário da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em meio a uma disputa por um imóvel.
A defesa de Bernal, representada pelo advogado Oswaldo Meza, informou que irá recorrer da decisão. Segundo ele, será apresentado um habeas corpus com pedido de revogação da prisão. Caso o recurso não seja aceito, a estratégia será solicitar a conversão para prisão domiciliar.
O advogado afirmou ter considerado a decisão “estranha”, alegando que o juiz teria analisado o mérito sem que todas as provas estivessem disponíveis, especialmente imagens de câmeras de segurança. De acordo com Meza, esses registros devem reforçar a tese de legítima defesa.
Após a audiência, Bernal foi encaminhado sob escolta ao Presídio Militar. A defesa informou ainda que ele passará por avaliação médica, por ser cardiopata e fazer uso contínuo de medicamentos.
A versão apresentada pelo advogado contesta a alegação da família da vítima de que os disparos teriam sido efetuados pelas costas. Segundo ele, houve legítima defesa e o ferimento nas costas seria resultado da transfixação do tiro.
O crime ocorreu após uma disputa judicial envolvendo uma mansão arrematada em leilão. O imóvel havia sido inicialmente ofertado por R$ 3,7 milhões, sem interessados. Posteriormente, foi vendido por R$ 2,4 milhões ao fiscal Roberto Mazzini. Mesmo após a venda, Bernal não teria desocupado o local.
Na tarde do crime, Bernal foi alertado pelo sistema de monitoramento de que Mazzini tentava entrar na propriedade com auxílio de um chaveiro. Ao chegar ao local, houve discussão e o ex-prefeito efetuou dois disparos, sendo que um atingiu a região da costela da vítima.
Após os tiros, Bernal deixou o local e posteriormente se apresentou à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac-Centro). Equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram acionadas, mas a vítima já estava sem vida.
Dentro do veículo de Mazzini foi encontrada uma notificação extrajudicial de desocupação, emitida em 20 de fevereiro, que concedia prazo de 30 dias para a entrega do imóvel — prazo que havia expirado poucos dias antes do crime.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.
