O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon, atualmente com o mandato suspenso, aparece entre os parlamentares citados em apuração sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Diferentemente do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como financiador privado do projeto, Pollon teria destinado recursos públicos, por meio de emendas parlamentares, para uma ONG ligada à produtora do longa.
O caso entrou no radar do ministro do STF Flávio Dino, que pediu esclarecimentos sobre o envio de verbas parlamentares ao projeto cinematográfico. Além de Pollon, também são citados os deputados federais Mário Frias e Bia Kicis.
Os três parlamentares destinaram juntos R$ 2,6 milhões em chamadas “emendas Pix” para uma ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora responsável pelo filme. O objetivo da investigação é apurar se os recursos públicos acabaram sendo utilizados, direta ou indiretamente, na produção do longa-metragem.
A polêmica ganhou novos contornos após o site Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. O material integra documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que investigou supostas fraudes relacionadas ao extinto Banco Master.
Segundo o conteúdo revelado, Flávio Bolsonaro teria solicitado novos aportes financeiros para custear a produção do filme. Em um dos áudios divulgados, o senador afirma:
“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado.”
Ainda de acordo com os documentos revelados, teria sido discutida uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões por parte de Vorcaro, com pagamentos que já teriam alcançado US$ 10 milhões até 2025.
Apesar das revelações, a Polícia Federal ainda não abriu investigação específica sobre os fatos envolvendo Flávio Bolsonaro. A íntegra do material foi compartilhada com a defesa de Vorcaro por determinação do STF.
Questionado por jornalistas ao deixar o Supremo Tribunal Federal após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin, Flávio Bolsonaro negou qualquer financiamento irregular e afirmou que o longa teria sido bancado exclusivamente com recursos privados.
O filme “Dark Horse” tem estreia prevista para 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro. A produção traz o ator Jim Caviezel interpretando Jair Bolsonaro e promete retratar a ascensão política do ex-presidente até a eleição de 2018.
O roteiro foi escrito por Mário Frias, enquanto a produção ficou a cargo da empresa Go Up Entertainment. Segundo o Intercept, as negociações para captação de recursos envolveram Flávio Bolsonaro, Mário Frias e também Eduardo Bolsonaro.
As verbas parlamentares enviadas por Frias, Pollon e Bia Kicis foram destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, ONG presidida por Karina Ferreira da Gama, apontada como proprietária da produtora responsável pelo longa.
