Mato Grosso do Sul aparece entre as unidades da federação que mais registram internações hospitalares causadas por acidentes de trânsito no Brasil. De acordo com dados do Ranking de Competitividade dos Estados de 2025, o Estado ocupa a segunda posição no país, ficando atrás apenas do Espírito Santo no volume de hospitalizações por traumas decorrentes de ocorrências viárias.
O levantamento aponta que, em MS, a cada 10 mil habitantes, 22,9 foram internados após se envolverem em acidentes de trânsito. No Espírito Santo, que lidera o ranking, a taxa é de 30,5 internações na mesma proporção populacional.
O cenário representa piora em relação ao estudo anterior, de 2024, quando Mato Grosso do Sul ocupava a quarta colocação. Na época, a análise considerava o número de internações por 100 mil habitantes, e o Estado registrava índice de 180,7, atrás de Goiás, Piauí e Rondônia.
O crescimento dos acidentes e, consequentemente, das vítimas tem impacto direto na rede pública de saúde. Ao longo do último ano, hospitais de Campo Grande enfrentaram episódios recorrentes de superlotação e escassez de leitos, reflexo da alta demanda por atendimentos de urgência e internações.
Diante da situação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul ingressou com ação civil pública para cobrar a ampliação da oferta de leitos hospitalares, tanto para pacientes adultos quanto pediátricos, na Capital.
Alta nas mortes preocupa
Além das internações, os acidentes de trânsito também têm elevado o número de mortes. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública indicam que 2025 foi o ano mais letal recente, com 394 óbitos registrados — 13 a mais que no ano anterior.
Trata-se do maior número desde 2017, considerando acidentes fatais tanto em áreas urbanas quanto em rodovias estaduais.
Em Campo Grande, o aumento também chama atenção. Foram 87 mortes no trânsito em 2025, crescimento de 26,09% em comparação com 2024, quando houve 69 registros.
Velocidade e imprudência estão entre as causas
Especialistas apontam que o excesso de velocidade é um dos principais fatores por trás da violência no trânsito. Segundo a análise, a condução em velocidades incompatíveis com as condições das vias reduz a capacidade de reação dos motoristas e aumenta a gravidade dos acidentes.
Outro ponto de alerta é a condução irregular. Estimativas indicam que cerca de 40% dos motociclistas na Capital circulam sem Carteira Nacional de Habilitação (CNH), o que evidencia falhas na formação e na conscientização dos condutores.
Além disso, a combinação de imprudência, falta de direção defensiva e o consumo de álcool ainda contribui para agravar o cenário, ampliando os riscos não apenas para os motoristas, mas também para pedestres e demais usuários das vias.

