A possível classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organização terrorista pelos Estados Unidos pode colocar a faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul em posição estratégica no cenário internacional, com संभावidades de operações em países vizinhos e efeitos diretos sobre o Brasil.
Em entrevista, o promotor paulista Lincoln Gakiya avalia que, dentro da doutrina norte-americana de combate ao terrorismo, ações militares estrangeiras na região não estão descartadas.
Segundo ele, mesmo sem atuação direta em território brasileiro, órgãos como a CIA e forças especiais dos Estados Unidos poderiam realizar operações em países limítrofes, como Paraguai e Bolívia, com impactos imediatos sobre o Estado. O promotor cita como exemplo o treinamento de militares norte-americanos em andamento no Paraguai, em áreas próximas à tríplice fronteira com Mato Grosso do Sul e Paraná.
“Ações nas áreas de fronteira, com reflexos para o Brasil, são plausíveis quando se trata de organizações classificadas como terroristas”, afirmou.
De acordo com Gakiya, há um movimento em Estados Unidos para enquadrar o PCC como organização terrorista estrangeira — uma decisão que independe do posicionamento brasileiro, diverge de critérios adotados pela Organização das Nações Unidas e pode gerar consequências econômicas, diplomáticas e na área de segurança.
A eventual medida não implicaria, necessariamente, em penas mais severas no Brasil, onde facções já são tratadas como organizações criminosas. No entanto, poderia resultar em sanções comerciais, restrições ao sistema financeiro e mudanças relevantes na cooperação internacional, elevando o tema ao campo da segurança nacional norte-americana.
A possibilidade ganhou força após reuniões com assessores ligados ao secretário de Estado Marco Rubio e depois que os Estados Unidos classificaram a facção venezuelana Tren de Aragua como organização terrorista, apesar de ser considerada menor que o PCC.
Na entrevista, Gakiya também critica a ausência de um plano nacional consistente de segurança pública, aponta disputas por protagonismo entre órgãos do setor e afirma que a fragmentação institucional favorece o avanço das facções criminosas. Ele ainda destaca que a infiltração no aparato estatal e a corrupção de agentes públicos contribuíram para a transformação do PCC em uma organização mafiosa transnacional, com atuação além das fronteiras brasileiras.
