A captura foi confirmada pelo ministro do Interior boliviano, Marco Antonio Ovieda, que informou que o suspeito já foi transferido de avião para os Estados Unidos. Segundo as autoridades, ninguém ficou ferido durante a ação policial.
A operação contou com a participação da Polícia Boliviana, da Força Especial de Combate ao Narcotráfico (FELCN), da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) e de outros órgãos estatais. Durante as buscas, os agentes encontraram três envelopes com cerca de 200 gramas de cocaína, além de 21 armas de fogo de diversos calibres, descritas como armamentos de alta tecnologia e superiores aos normalmente utilizados pelas forças policiais do país.
Também foram apreendidos diversos bens ligados ao grupo criminoso, incluindo dez veículos — alguns blindados. Um dos carros possuía blindagem nível sete, considerada uma das mais altas em proteção veicular, e seria utilizado pelo próprio Marset, apontado como líder do esquema de tráfico na região.
A ação resultou ainda na apreensão de duas motocicletas de luxo, uma delas da marca BMW, além de cinco imóveis completamente mobiliados. Os policiais localizaram também 54 quilos de maconha, avaliados em aproximadamente US$ 54 mil no mercado boliviano — valor que poderia ser maior caso a droga fosse destinada a outros países, especialmente na Europa.
Inicialmente, dois aeródromos privados ligados ao grupo foram apreendidos, mas acabaram devolvidos ao proprietário após decisão judicial. O vice-ministro do Interior da Bolívia, Hernán Paredes, afirmou que a situação é complexa devido à legislação vigente.
Durante as investigações, foram localizadas 16 aeronaves de pequeno porte, a maioria em condições de operação, enquanto quatro estavam fora de serviço. De acordo com o governo boliviano, o prejuízo causado à organização criminosa é estimado em cerca de R$ 80 milhões (aproximadamente US$ 15 milhões).
Até o momento, oito pessoas foram presas — quatro durante a operação principal e outras quatro em ações posteriores. Um dos detidos é apontado como possível integrante do Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do Brasil.
O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei dos Estados Unidos (INL) anunciou a captura nas redes sociais e destacou a cooperação entre autoridades americanas e bolivianas na localização do traficante.
Ameaças na fronteira
Em novembro do ano passado, Marset voltou a aparecer em um vídeo ao lado de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), no qual ameaçava iniciar um confronto armado na região de fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai.
Na gravação, o traficante aparece segurando um fuzil e afirma que circulava com facilidade entre os três países. Ele também declarou que estaria preparado para entrar em guerra contra rivais ou forças policiais.
No vídeo, Marset menciona ainda o apelido “Colla”, atribuído a Erlan García López, ex-aliado que teria se tornado inimigo do grupo.
Histórico criminal
Procurado em pelo menos cinco países por envolvimento com o tráfico internacional de drogas, Sebastián Enrique Marset Cabrera, de 34 anos, é considerado um dos principais operadores do narcotráfico na América do Sul.
Investigações apontam que ele teria participação no envio de cerca de 16 toneladas de cocaína apreendidas na Europa, além de carregamentos de 11 toneladas na Bélgica e 4,7 toneladas no Paraguai.
Apesar de ser alvo de diversas investigações, Marset chegou a atuar como jogador de futebol em clubes da Bolívia e do Paraguai entre 2021 e 2023. Para isso, utilizava documentos falsos e se apresentava como brasileiro sob o nome de Luis Paulo Amorim Santos, com identidade supostamente emitida em Pernambuco.
Nesse período, chegou a jogar pelo Deportivo Capiatá, equipe da primeira divisão paraguaia, onde atuou como meia usando a camisa 23. Ele disputou apenas seis partidas oficiais antes de desaparecer.
Segundo investigações, sua ligação com o crime organizado começou em 2013, quando foi preso no Uruguai por tráfico de maconha. Na prisão, teria conhecido integrantes do PCC e, posteriormente, criado uma ramificação da facção em seu país, chamada Primeiro Comando do Uruguai (PCU).
Desde então, passou a atuar no envio de cocaína da América do Sul para outros continentes. Em 2021, foi localizado em Dubai com um passaporte falso paraguaio. No ano seguinte, instalou-se na Bolívia com a família, onde chegou a fundar um clube de futebol em Santa Cruz de la Sierra.
Em 2023, a polícia boliviana descobriu seu paradeiro e cercou sua mansão, mas o traficante conseguiu fugir. No local foram apreendidos 17 fuzis, uma pistola, quase duas mil munições, coletes à prova de bala, veículos e equipamentos esportivos.
Na época, o governo boliviano chegou a oferecer recompensa de US$ 100 mil por informações que levassem à sua captura. Já nos Estados Unidos, após condenação por lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional, foi anunciada recompensa de US$ 2 milhões por sua prisão.
