A retomada dos investimentos na BR-163 já começa a aparecer na pista, mas ainda não se reflete no caixa da concessionária. Após voltar a investir na rodovia em julho do ano passado, a Motiva Pantanal liberou em abril o primeiro trecho de terceira faixa, com cerca de 2 quilômetros, em Mundo Novo, na divisa com o Paraná.
Apesar do avanço, o balanço financeiro indica piora. A empresa saiu de um lucro líquido de R$ 21,1 milhões no primeiro trimestre de 2025 para um prejuízo de R$ 1 milhão nos três primeiros meses de 2026.
O principal fator foi a redução no fluxo de veículos nas nove praças de pedágio. O volume de eixos pagantes caiu 2,6%, passando de 13,4 milhões para 13 milhões no comparativo anual. Com isso, a arrecadação também recuou, ainda que de forma leve: de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
Nem mesmo o reajuste de 5,53% nas tarifas, aplicado em junho de 2025, foi suficiente para equilibrar as contas. Isso porque, desde agosto, motoristas que utilizam cobrança automática via TAG passaram a ter desconto de 5%, reduzindo a receita líquida.
Por outro lado, os gastos aumentaram. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram R$ 119 milhões em investimentos. O novo contrato prevê a implantação de 147 quilômetros de faixas adicionais e a duplicação de pelo menos 203 quilômetros da rodovia. Hoje, cerca de 150 quilômetros já estão duplicados.
Além disso, a concessionária informou a realização de 160 intervenções no período, incluindo obras em trechos de Naviraí, Campo Grande, Bandeirantes, Jaraguari e Coxim.
O resultado negativo surge justamente às vésperas de um possível aumento expressivo nas tarifas de pedágio, previsto no contrato de relicitação firmado após leilão realizado na B3, em maio do ano passado.
Pedágio mais caro à vista
Atualmente em torno de R$ 8,20 a cada 100 quilômetros, a tarifa pode subir significativamente. O contrato prevê reajustes progressivos vinculados à execução das obras. Já neste primeiro ano, o aumento pode chegar a cerca de 35%, elevando o custo para perto de R$ 12 por 100 quilômetros, além da correção anual estimada em 4,5%.

