O ministro Carlos Pires Brandão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou os pedidos de liberdade apresentados pelas defesas dos empresários Roberto Razuk e Rafael Godoy Razuk, pai e irmão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL). Os três foram presos preventivamente no âmbito de investigação sobre a exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
As decisões mantêm o entendimento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), que já havia rejeitado habeas corpus apresentados pelas defesas. Para o ministro, continuam presentes elementos que justificam as medidas cautelares, especialmente diante do risco à ordem pública.
Ao analisar o caso de Rafael Razuk, Brandão destacou que ele foi apontado como integrante do núcleo principal de uma organização criminosa com estrutura permanente, divisão de tarefas e movimentação de grandes quantias em dinheiro.
Segundo a decisão, mesmo após prisões realizadas durante a Operação Successione, o grupo teria conseguido se reorganizar para manter suas atividades, incluindo a exploração do jogo do bicho e outros crimes investigados. Também foram citados indícios de planos de expansão para outros estados.
A defesa sustentava, entre outros argumentos, que não haveria fatos recentes capazes de justificar a continuidade da prisão. O ministro, porém, considerou que a Justiça estadual apontou riscos atuais relacionados à suposta rearticulação do grupo após operações policiais e decisões judiciais anteriores.
No caso de Rafael, o STJ também deixou de analisar pedido de prisão domiciliar por motivos de saúde. O entendimento foi de que a questão precisa ser examinada inicialmente pelas instâncias inferiores, evitando a chamada supressão de instância.
Já Roberto Razuk, de mais de 85 anos, permanece em prisão domiciliar humanitária. A defesa buscava modificar as condições da medida sob a alegação de dificuldades relacionadas ao tratamento de saúde.
Carlos Brandão, no entanto, concluiu que não foram apresentados elementos suficientes para demonstrar que a prisão domiciliar impediria o atendimento médico adequado. Para o ministro, a manutenção da medida atende aos critérios de razoabilidade e proporcionalidade considerados pelas instâncias anteriores.
As decisões foram publicadas no Diário da Justiça Eletrônico do STJ na segunda-feira (24). As investigações relacionadas à organização criminosa levaram à prisão de diversos investigados desde novembro de 2025. Neno Razuk também permanece preso preventivamente.
