O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), declarou nesta sexta-feira (29) apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas internacionais. A manifestação ocorreu durante evento realizado no Tribunal de Contas do Estado.
A posição do governador foi apresentada um dia após o Departamento de Estado norte-americano anunciar o enquadramento das duas facções brasileiras em medidas voltadas ao combate ao terrorismo. Para Riedel, qualquer iniciativa que fortaleça o enfrentamento ao crime organizado internacional é positiva.
Segundo o governador, Mato Grosso do Sul vive uma realidade sensível devido à extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, regiões frequentemente utilizadas por organizações criminosas para tráfico de drogas, armas e outros crimes transnacionais. Ele ressaltou que PCC e Comando Vermelho já atuam de forma internacionalizada.
Ao comentar a situação da segurança pública no Estado, Riedel cobrou maior participação do governo federal no policiamento das áreas de fronteira. O governador defendeu ampliação do efetivo da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e das equipes de inteligência que operam na região.
De acordo com ele, apesar das ações integradas entre forças estaduais e federais, ainda há carência de estrutura e pessoal para ampliar a efetividade do combate ao crime organizado.
Riedel afirmou também que o governo estadual mantém atuação firme para impedir o avanço de facções criminosas em Mato Grosso do Sul, principalmente na região norte do Estado. Segundo ele, as organizações tentam expandir presença, mas vêm sendo combatidas pelas forças de segurança.
O governador garantiu que não existem áreas dominadas por facções em território sul-mato-grossense e afirmou que o Estado não permitirá perda de controle territorial para organizações criminosas.
Durante a entrevista, Riedel avaliou ainda que a decisão dos Estados Unidos não deve gerar impactos imediatos em Mato Grosso do Sul. Na avaliação dele, os norte-americanos já mantêm forte atuação no Paraguai e devem intensificar ações de combate às facções naquele país.
A classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações ligadas ao terrorismo internacional amplia o alcance de sanções financeiras, restrições econômicas e medidas de bloqueio contra pessoas e empresas suspeitas de ligação com os grupos criminosos.
O tema, no entanto, divide opiniões entre especialistas e autoridades brasileiras. Parte considera a medida uma ferramenta importante para enfraquecer o financiamento do crime organizado, enquanto outros avaliam que a classificação pode gerar tensões diplomáticas e abrir espaço para interferências externas
