O cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, foi colocado em liberdade nesta quinta-feira (20), seis dias depois de ser preso novamente durante a investigação sobre a morte da esposa, a fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, em Campo Grande. O caso é apurado como suspeita de feminicídio.
A soltura ocorreu após a defesa apresentar um pedido de habeas corpus. Segundo o advogado José Trad, a Justiça acolheu os argumentos apresentados e determinou que o médico deixasse a prisão.
A defesa sustenta que João Jazbik é inocente e afirma que Fabiola teria deixado registros em um diário com mensagens relacionadas à ideação suicida, além de uma suposta carta de despedida. Os advogados também informaram que pretendem contestar judicialmente os resultados das perícias realizadas durante a investigação.
Ainda conforme a defesa, o cardiologista colaborou com as apurações e cumpriu as medidas cautelares que haviam sido determinadas anteriormente pelo Tribunal de Justiça.
Fabiola morreu no dia 18 de maio após ser atingida por um tiro na cabeça dentro da chácara onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, na Capital. Desde o início, João afirmou às autoridades que a esposa teria tirado a própria vida.
A investigação, porém, passou a considerar a hipótese de feminicídio depois que exames periciais apontaram elementos que, segundo a polícia, não seriam compatíveis com a versão apresentada pelo médico. O inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) está em fase de conclusão.
Médico já havia sido preso durante investigação
João Jazbik já havia sido preso logo após a morte da esposa. Na ocasião, as investigações também envolveram suspeitas de fraude processual e posse irregular de arma de fogo.
Ele deixou a prisão no dia 23 de maio, após a Justiça conceder outro habeas corpus, passando a utilizar tornozeleira eletrônica. O cardiologista nega participação na morte da fisioterapeuta.
Durante as diligências realizadas na propriedade, policiais encontraram armas sem documentação. A investigação apontou ainda que o médico teria solicitado a um caseiro e a um ex-funcionário que retirassem de um imóvel um armário onde estavam guardadas armas e munições, transferindo o material para outra parte da propriedade.
Para os investigadores, a movimentação poderia caracterizar tentativa de alteração da cena ou ocultação de elementos de interesse para a apuração. O médico, o caseiro e o ex-funcionário chegaram a ser presos em flagrante naquele momento.
No dia seguinte à morte de Fabiola, a Polícia Civil informou ter identificado divergências entre declarações prestadas pelo cardiologista, testemunhas e outras pessoas ouvidas no inquérito.
Uma perícia preliminar também indicou que as características do ferimento encontrado na cabeça da fisioterapeuta não seriam compatíveis com a hipótese inicialmente apresentada de que ela própria teria efetuado o disparo.
Com o avanço das investigações e novos resultados periciais, a polícia passou a tratar o episódio como possível feminicídio. Apesar da nova soltura do cardiologista, as apurações sobre as circunstâncias da morte continuam.
