Estado retirou 1.117 armas de circulação nos primeiros sete meses de 2026; metade das apreensões de fuzis ocorreu na região de fronteira
Mato Grosso do Sul bateu recorde de apreensão de fuzis em 2026, em meio ao avanço das operações policiais e à disputa territorial entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).
Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) mostram que 1.117 armas de fogo foram apreendidas entre 1º de janeiro e 31 de julho. Revólveres lideram a lista, seguidos por pistolas e espingardas.
Mais da metade das armas recolhidas estava adulterada ou apresentava a numeração raspada, condição que dificulta o rastreamento da origem e da circulação do armamento.
Apreensão de fuzis quadruplica
O avanço mais expressivo ocorreu entre as armas de alto poder ofensivo. Nos primeiros sete meses deste ano, 20 fuzis foram apreendidos em Mato Grosso do Sul, o maior número já registrado no Estado.
A quantidade representa o dobro das apreensões contabilizadas em 2023 e quatro vezes o total de 2022. Durante todo o ano passado, 14 fuzis foram retirados de circulação.
Levantamento do Instituto Sou da Paz aponta que a apreensão desse tipo de armamento cresceu 175% entre 2021 e 2025. O recorde de 2026 reforça uma tendência de aumento da presença de armas de guerra nas rotas utilizadas pelo crime organizado.
Fronteira concentra armamento
Dos fuzis apreendidos neste ano, quase metade foi encontrada nos 44 municípios localizados na faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul com Paraguai e Bolívia.
Segundo o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, parte das armas entra no Brasil pelo Paraguai e segue para outros estados, onde PCC e Comando Vermelho também disputam territórios e mercados criminosos.
“Essa disputa entre facções não se restringe apenas a Mato Grosso do Sul. Elas também estão demandando armas e munições para outros estados, e essas armas vêm principalmente do Paraguai”, explicou.
Além das disputas locais, Mato Grosso do Sul funciona como corredor para o transporte de armamentos destinados a organizações criminosas instaladas em outras regiões do País.
Integração entre estados
Videira atribui o aumento das apreensões ao reforço do policiamento e à integração das forças de segurança de Mato Grosso do Sul com São Paulo, Mato Grosso e Paraná.
A cooperação está concentrada principalmente na fiscalização de rodovias utilizadas para o transporte de armas, munições, drogas e outros produtos ilícitos.
As investigações também buscam identificar lideranças criminosas que continuam ordenando crimes de dentro dos presídios. A estratégia inclui pedidos para que esses detentos sejam transferidos ao sistema penitenciário federal.
“Essa é uma forma de isolar essas lideranças negativas e tentar manter o controle”, afirmou o secretário.
Estado recebeu R$ 10,3 milhões
No início de junho, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 10,3 milhões do governo federal para custear diárias de policiais envolvidos em operações contra organizações criminosas nas regiões de fronteira, divisas estaduais e biomas.
O dinheiro integra o programa Brasil contra o Crime Organizado, criado para fortalecer a inteligência, a cooperação entre instituições e a asfixia financeira de facções, milícias e grupos paramilitares.
Segundo Videira, os recursos serão utilizados até setembro. O financiamento federal permite que verbas estaduais sejam direcionadas para outras ações de segurança, principalmente em Campo Grande.
O secretário ressaltou que a intensificação das operações não está relacionada à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Segundo ele, as ações resultam do programa federal e do planejamento integrado das forças brasileiras.
