O delegado Wellington de Oliveira deixou o cargo de ouvidor-geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após denúncias de assédio moral e sexual feitas por alunas da Academia da Polícia Civil (Acadepol). A saída foi oficializada em portaria publicada nesta quarta-feira (22).
Segundo o documento, o afastamento ocorreu a pedido do próprio delegado, que ocupava função de confiança (símbolo DAPC-2), com efeito imediato.
Para o lugar dele, foi designada a delegada Ana Cláudia Oliveira Marques Medina, atual diretora do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, que assume interinamente a função por ausência de titular na Ouvidoria.
As portarias são assinadas pelo delegado-geral Lupérsio Degerone Lucio.
Denúncias vieram à tona em março
As acusações envolvem episódios ocorridos durante aulas ministradas por Wellington na Acadepol, após o concurso realizado no fim de 2025. De acordo com relatos de alunos, houve denúncias em todas as turmas conduzidas pelo delegado.
Entre os episódios citados, estão perguntas de cunho sexual, comentários considerados ofensivos e constrangedores, além de insinuações sobre comportamento e aparência das alunas.
Um dos relatos aponta que o delegado questionou uma aluna sobre preferências sexuais e chegou a fazer comentários insinuando que algumas teriam perfil para atuar como “prostitutas infiltradas”.
Pressão e suposto abuso de autoridade
Além do teor sexual, estudantes também denunciaram assédio moral. Segundo os relatos, Wellington teria minimizado possíveis reclamações, afirmando que denúncias “não dariam em nada” por ele integrar instâncias internas da corporação.
Após a repercussão do caso, o delegado entrou de férias — medida formalizada em 24 de março.
Investigação em andamento
As denúncias foram encaminhadas pela direção da Acadepol à Corregedoria da Polícia Civil, que abriu apuração. Vítimas e testemunhas já começaram a ser ouvidas.
Em nota, a Polícia Civil confirmou a existência das denúncias e informou que o delegado já não atua mais como instrutor. O órgão também reiterou que a investigação está em curso.
