Ex-prefeito completa um mês detido enquanto Justiça mantém prisão por homicídio qualificado
O ex-prefeito Alcides Bernal completa, nesta sexta-feira (24), um mês preso na Sala de Estado-Maior da Polícia Militar, após ser acusado de matar o auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime teria sido motivado por um conflito envolvendo um imóvel de alto padrão localizado na região central de Campo Grande.
Na última sexta-feira (17), a 1ª Vara do Tribunal do Júri negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A decisão considerou que a prisão preventiva segue devidamente fundamentada com base no artigo 312 do Código de Processo Penal (CPP), afastando a possibilidade de o réu responder em liberdade.
Antes disso, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) já havia formalizado denúncia contra Bernal, solicitando sua condenação por homicídio qualificado. Segundo a acusação, o ex-prefeito teria agido por vingança, inconformado com a perda do imóvel, arrematado pela vítima em leilão realizado pela Caixa Econômica Federal.
De acordo com o MP, Bernal e Mazzini não mantinham relação anterior ao episódio envolvendo a propriedade. Para os promotores, o crime foi cometido por motivo torpe, caracterizado por uma motivação considerada moralmente reprovável — no caso, o sentimento de vingança pela disputa do bem.
A denúncia também aponta que o acusado utilizou recurso que dificultou a defesa da vítima. Conforme descrito, Bernal teria chegado armado ao local e efetuado disparos de forma repentina, impedindo qualquer reação eficaz por parte do auditor fiscal.
O caso é agravado, ainda, pelo fato de a vítima ser idosa e pelo uso de arma de fogo com registro vencido desde 2019. O próprio acusado admitiu portar o revólver calibre 38 momentos antes do crime.
Além da condenação, o MPMS requer a fixação de indenização mínima à família da vítima, sugerindo o valor equivalente a 10 salários mínimos. O processo também passou por solicitação judicial de esclarecimentos adicionais sobre a disputa pelo imóvel, já atendida pelo órgão ministerial.
Caso seja condenado com todas as qualificadoras apresentadas, Bernal poderá cumprir pena que pode chegar a 49 anos de reclusão.
Desde a prisão, em 24 de março, o ex-prefeito permanece custodiado em Sala de Estado-Maior, espaço destinado a advogados conforme previsto no Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994).
Cronologia do crime
O homicídio ocorreu no dia 24 de março e foi registrado por câmeras de segurança do imóvel. As imagens mostram que, por volta das 13h, o chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, chegou ao local enquanto a vítima aguardava dentro de sua caminhonete.
Após ser orientado por Mazzini, o chaveiro iniciou a abertura da residência. Cerca de 35 minutos depois, conseguiu acessar o imóvel, momento em que ambos entraram na casa.
Às 13h44min20s, Bernal chegou ao local após ser alertado por uma empresa de monitoramento sobre a presença de pessoas na residência. Aproximadamente 17 segundos depois, ele entrou no imóvel e efetuou o primeiro disparo contra a vítima.
Em seguida, ao se aproximar do corpo, saiu do campo de visão da câmera, onde, conforme perícia, teria realizado o segundo disparo. O chaveiro deixou o local logo depois.
As imagens mostram o ex-prefeito guardando a arma, saindo da residência e, posteriormente, deixando a cena do crime. A investigação passou a apurar o momento exato do segundo disparo, ponto que não foi presenciado diretamente pela principal testemunha.
