
A advocacia sul-mato-grossense foi construída por homens e mulheres que fizeram muito mais do que defender causas. Construíram exemplos. Hoje presto minha homenagem a três profissionais que tive a felicidade de conhecer: Gualter Mascarenhas Barbosa, Jorge Antonio Siufi e Evandro Bandeira.
Os três tinham muito em comum. Eram apaixonados pela advocacia, donos de uma conversa agradável, serenos no trato com as pessoas e respeitados por colegas, clientes e adversários. A competência jurídica impressionava, mas era o caráter que verdadeiramente os distinguia.
Com Gualter Mascarenhas Barbosa, os encontros aconteciam muitas vezes no armazém do saudoso Troncoso. Sempre o encontrei de bom humor, com a alma leve, falando da família, dos amigos e da advocacia com um entusiasmo que fazia bem a quem o ouvia. Tema sempre presente era o infinito amor pela esposa Maria Silvia de Barros. Era daqueles homens cuja presença tornava qualquer conversa mais agradável.
Jorge Antonio Siufi conheci nas batalhas da advocacia. Guardo viva a lembrança da atenção e da cordialidade com que me recebeu quando exercia a função de juiz da propaganda eleitoral. Anos depois, tive a honra de receber a Medalha do Mérito Advocatício Jorge Antonio Siufi, instituída pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Foi uma homenagem que carregou um significado especial justamente por levar o nome de alguém que tanto engrandeceu a profissão.
Evandro Bandeira era um daqueles advogados que transmitiam segurança pela experiência e respeito pela elegância com que atuava. Exerceu a advocacia por mais de cinquenta anos, tornando-se uma das grandes referências do direito civil em Mato Grosso do Sul. Culto, afável e bem relacionado, conquistava a admiração das pessoas não apenas pelo profundo conhecimento jurídico, mas pela educação, simplicidade e a forma respeitosa com que tratava todos ao seu redor.
Cada um, à sua maneira, dedicou a vida ao direito e deixou um legado que permanece vivo. Não apenas pelas causas que patrocinou ou pelas funções desempenhadas, mas pela forma ética, elegante e respeitosa com que exerceu a advocacia.
O tempo passou, mas o compromisso da família com a Justiça permaneceu. Denner Mascarenhas conduz, com reconhecida competência, o tradicional escritório Mascarenhas Barbosa. Antonio Siufi Neto construiu uma brilhante carreira no Ministério Público, onde se destaca como Procurador de Justiça. Evandro Bandeira deixou vários filhos, todos da área jurídica. É bonito perceber que o amor ao direito atravessou gerações.
A advocacia precisa dessas referências. Os jovens profissionais aprendem muito nos livros, mas aprendem ainda mais observando exemplos de dignidade, equilíbrio, preparo técnico e respeito ao próximo.
Gualter Mascarenhas Barbosa, Jorge Antonio Siufi e Evandro Bandeira demonstraram que é possível exercer a advocacia com firmeza, sem abrir mão da gentileza; defender posições com convicção, sem perder a elegância; alcançar reconhecimento, sem abandonar a humildade. Essa talvez seja a maior lição que deixaram.
Homens assim não registram seus nomes apenas na história da advocacia. Deixam uma maneira de exercer a profissão. Um exemplo que nenhuma faculdade ensina, mas que toda nova geração de advogados deveria procurar seguir. Guardo com alegria a lembrança de ter conhecido Gualter Mascarenhas Barbosa, Jorge Antonio Siufi e Evandro Bandeira. Conviver, ainda que por algum tempo, com homens dessa grandeza foi um privilégio que a advocacia me proporcionou. Deles levo a certeza de que o verdadeiro sucesso não se mede pelas vitórias nos tribunais, mas pelo respeito conquistado, amizade cultivada e dignidade com que se percorre a vida. Tenho orgulho de tê-los conhecido e sou grato por ter aprimorado a advocacia com cada um deles.
