Mato Grosso do Sul chega ao Dia Estadual de Combate ao Feminicídio, celebrado nesta segunda-feira (1º), com um cenário preocupante: 13 mulheres foram vítimas de feminicídio nos cinco primeiros meses de 2026, número igual ao registrado no mesmo período do ano passado.
A data, instituída pela Lei Estadual nº 5.202/2018, marca o início da Semana Estadual de Combate ao Feminicídio e tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a violência de gênero, além de fortalecer ações de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.
Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostram que, além das mortes consumadas, o Estado contabilizou 50 tentativas de feminicídio neste ano. Nesses casos, os autores agiram com a intenção de matar, mas o crime não foi consumado por circunstâncias alheias à vontade dos agressores.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), muitas das mulheres assassinadas nunca haviam registrado boletim de ocorrência nem procurado ajuda formal. O órgão destaca que, em média, uma vítima permanece cerca de dez anos submetida a situações de violência antes de conseguir romper o ciclo de abusos.
A escolha do dia 1º de junho como marco estadual remete ao assassinato da jovem Isis Caroline, em 2015, considerado o primeiro caso de feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul após a entrada em vigor da Lei Federal nº 13.104/2015, que tipificou o crime no Brasil.
O problema também se reflete em levantamentos nacionais. Estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que Mato Grosso do Sul registrou, em 2025, uma taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil mulheres, uma das mais elevadas do país. O Estado ficou atrás apenas de Acre e Rondônia.
O levantamento ainda mostra que Mato Grosso do Sul e Mato Grosso foram os únicos estados brasileiros a permanecer entre os cinco com as maiores taxas de feminicídio durante todo o período analisado, entre 2021 e 2025, evidenciando a persistência do problema e a necessidade de políticas públicas permanentes de enfrentamento à violência contra a mulher.

