As mulheres seguem recebendo salários significativamente inferiores aos dos homens em Mato Grosso do Sul, mesmo com o avanço da participação feminina no mercado de trabalho. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontam que a remuneração média das trabalhadoras no Estado é de R$ 3.065,70, enquanto a dos homens chega a R$ 4.151,02 — uma diferença de 26%.
O levantamento considera empresas com 100 ou mais empregados e utiliza informações da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). No cenário nacional, a desigualdade é menor, com mulheres recebendo, em média, 21,3% a menos que os homens.
No Estado, a disparidade aparece em praticamente todos os recortes analisados, inclusive quando se leva em conta a raça. Entre trabalhadores não negros, os homens têm remuneração média de R$ 5.067,47, contra R$ 3.706,03 das mulheres. Já entre negros, os homens recebem R$ 3.701,36, enquanto as mulheres ganham R$ 2.658,43, evidenciando a sobreposição de desigualdades de gênero e racial.
A diferença também é percebida no salário contratual mediano: homens recebem R$ 2.496,51, enquanto mulheres ficam com R$ 1.967,35.
Em dezembro de 2025, Mato Grosso do Sul contava com 652 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 226,1 mil vínculos formais. Desse total, 83 mil eram ocupados por mulheres — sendo 50 mil por mulheres negras (60,2%) e 32,9 mil por não negras (39,6%). Entre os homens, eram 143,1 mil empregados, dos quais 95,1 mil negros (66,4%) e 48 mil não negros (33,5%).
A desigualdade salarial também varia conforme a ocupação. Entre dirigentes e gerentes, as mulheres recebem cerca de 62,1% da remuneração masculina. Em cargos de nível superior, o índice sobe para 75,7%. Já em funções técnicas de nível médio, cai para 60,3%, enquanto nas atividades operacionais — que concentram a maior parte dos vínculos — chega a 64,2%. Nos serviços administrativos, a diferença é menor, com mulheres recebendo, em média, 78,7% do rendimento dos homens.
Apesar desse cenário, houve crescimento da participação feminina no mercado de trabalho. Entre 2023 e 2025, o número de mulheres empregadas no país aumentou 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões. Entre mulheres negras, o avanço foi ainda maior, com crescimento de 29%, o equivalente a mais 1 milhão de novas ocupações.
Ainda assim, a massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%, abaixo da participação feminina no emprego, que é de 41,4%. Segundo o ministério, seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos para alcançar maior equilíbrio.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que a discussão sobre igualdade vai além dos salários. Segundo ela, envolve também condições de trabalho, direitos e combate à discriminação estrutural.
O relatório também indica que a desigualdade salarial pouco mudou desde a criação da Lei nº 14.611/2023. No salário mediano, a diferença passou de 13,7% para 14,3%, enquanto na remuneração média subiu de 20,7% para 21,3% no país.
Por outro lado, houve avanço no número de empresas com menor disparidade. Estabelecimentos com até 5% de diferença no salário mediano cresceram 3,8%, chegando a cerca de 30 mil. Também aumentaram políticas internas, como jornada flexível (de 40,6% para 53,9%), auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%) e ampliação de licenças parentais.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reforçou que a busca por igualdade envolve também a valorização e ascensão das mulheres nas carreiras, indo além da equiparação salarial na mesma função.

