A maior parte dos estupros registrados em Mato Grosso do Sul acontece dentro de residências. Dados do Painel de Monitoramento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) mostram que, na última década, 16.366 ocorrências tiveram como local casas ou ambientes semelhantes.
No período de 2016 a 2025, o Estado contabilizou 22.591 vítimas de estupro. Isso significa que aproximadamente 72% dos registros ocorreram em ambiente residencial.
O levantamento também revela que crianças de até 11 anos formam a faixa etária mais atingida pela violência sexual no Estado. Em seguida aparecem os adolescentes entre 12 e 17 anos.
Os números expõem uma realidade preocupante: grande parte dos crimes ocorre justamente em ambientes privados, onde as vítimas, sobretudo crianças e adolescentes, deveriam estar protegidas.
Depois das residências, as propriedades rurais aparecem entre os locais com maior número de registros, com 2.995 ocorrências. As vias urbanas somam 2.590 casos.
Escolas também aparecem entre os locais com registros de estupro. Ao longo da série histórica, foram contabilizadas 504 ocorrências em unidades de ensino.
Estabelecimentos comerciais registraram 439 casos, unidades de saúde aparecem com 237 e órgãos públicos somaram 173 registros.
Crianças lideram número de vítimas
A divisão dos registros por faixa etária mostra que crianças entre 0 e 11 anos concentram o maior número de vítimas.
Logo depois aparecem adolescentes de 12 a 17 anos.
Na classificação utilizada pela Sejusp, são considerados crianças aqueles com até 11 anos. A faixa entre 12 e 17 anos corresponde aos adolescentes, enquanto jovens têm entre 18 e 29 anos. Adultos são classificados entre 30 e 59 anos e idosos a partir dos 60.
Os dados mostram que a violência sexual atinge de maneira significativa menores de idade em Mato Grosso do Sul.
Estado registra mais de 2 mil vítimas por ano
A série histórica mostra que Mato Grosso do Sul registrou mais de 2 mil vítimas de estupro por ano durante praticamente toda a última década.
Em 2016, foram contabilizadas 2.006 vítimas, menor resultado do período analisado.
O número aumentou para 2.206 em 2017, passou para 2.247 em 2018 e chegou a 2.303 vítimas em 2019.
Em 2020, houve redução para 2.139 registros e, em 2021, foram contabilizadas 2.123 vítimas.
A partir de 2022, os números voltaram a crescer. Naquele ano foram registrados 2.277 casos.
O maior número da série ocorreu em 2023, quando Mato Grosso do Sul registrou 2.658 vítimas de estupro.
Em 2024, o total caiu para 2.412 vítimas. Já em 2025, foram contabilizadas 2.220.
Em 2026, o painel registra 1.398 vítimas até 18 de setembro. Como os dados correspondem apenas a parte do ano, o número não pode ser comparado diretamente com os anos anteriores.
Jardim Noroeste lidera registros na Capital
Em Campo Grande, o Jardim Noroeste aparece com o maior número de ocorrências entre os bairros analisados, com 242 registros.
Na sequência estão Nova Lima, com 183 casos, Jardim Aero Rancho, com 152, e Centro, com 151 ocorrências.
Também aparecem entre os bairros com maior número de registros Jardim São Conrado, com 142 casos, Jardim Los Angeles, com 137, e Parque do Lageado, com 130.
Os números absolutos, porém, não permitem concluir isoladamente que determinado bairro seja mais perigoso, já que fatores como população, extensão territorial e volume de registros também precisam ser considerados.
Maioria dos registros não informa raça ou cor
Outro problema identificado na base de dados está no preenchimento das informações sobre raça ou cor das vítimas.
Dos registros analisados, 12.866 aparecem classificados como “não informado”.
Entre os casos em que a informação foi registrada, há 5.088 vítimas pardas, 3.078 brancas, 493 indígenas, 391 pretas e 43 amarelas.
Como mais da metade dos registros não apresenta essa informação, os dados não permitem afirmar qual grupo racial concentra a maioria absoluta das vítimas.
O Painel de Monitoramento da Sejusp-MS reúne informações públicas sobre ocorrências policiais, vítimas e indicadores de segurança em Mato Grosso do Sul.
