Após sete horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou João Augusto Borges, de 22 anos, a 67 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato da companheira, Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e da filha do casal, Sophie Eugênia, de apenas 10 meses. A defesa ainda tentou suspender a sessão para pedir exame psiquiátrico no réu, mas os jurados decidiram condená-lo por todas as acusações.
O crime ocorreu na noite de 26 de maio de 2025, no Núcleo Industrial Indubrasil, em Campo Grande. Policiais militares foram acionados para atender um incêndio em área de vegetação e encontraram os corpos da mãe e da bebê em chamas. Segundo as investigações, as vítimas haviam sido mortas horas antes e levadas no porta-malas do carro do acusado até o local onde os corpos foram incendiados.
João foi preso no dia seguinte enquanto registrava o falso desaparecimento das vítimas na 6ª Delegacia de Polícia. Em depoimento, confessou o crime e afirmou que queria encerrar o relacionamento, mas não pretendia pagar pensão. “Eu cansei do relacionamento e não queria pagar pensão”, declarou à polícia.
Durante o julgamento, a promotoria sustentou que o crime foi premeditado, praticado em contexto de violência doméstica e seguido de tentativa de ocultação. A acusação também destacou que o réu tentou simular preocupação com o desaparecimento da companheira e da filha para despistar a investigação.
A defesa alegou que havia dúvidas sobre a capacidade mental do acusado e pediu a interrupção do júri para realização de perícia psiquiátrica. Os advogados também tentaram afastar a qualificadora de feminicídio, argumentando que não existia motivação de gênero no caso.
Ao ler a sentença, o juiz Aluízio Pereira dos Santos afirmou que o crime demonstrou extrema frieza, planejamento e ausência de remorso por parte do condenado.

