Maioria dos eleitos entregarou a prestação de contas. Entre os atrasados estão o ex-prefeito de Corumbá Marcelo Iunes e Renato Gomes, que disputou o governo do Estado.
Os candidatos que prestaram contas dentro do prazo em Mato Grosso do Sul declararam cerca de R$ 115,5 milhões em despesas nas eleições de 2026. O balanço do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) reúne informações de 382 dos 395 concorrentes, o equivalente a 96,71% do total. Todos os eleitos apresentaram a documentação, enquanto 13 candidatos deixaram passar o prazo de 3 de novembro.
O valor é preliminar. Os dados foram extraídos do Sistema de Prestação de Contas Eleitorais e do DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo Viviane Horst, responsável pela unidade de contas da Secretaria Judiciária do TRE-MS, o total pode mudar após a análise dos documentos, embora a expectativa seja de que o resultado fique próximo dos R$ 115,5 milhões já declarados.
De cada R$ 10 em receitas, quase R$ 8 vieram de fundos públicos
Uma consulta anterior aos registros do TSE, compilados pela plataforma Vototeca, apontou que as candidaturas de Mato Grosso do Sul declararam R$ 121,49 milhões em receitas. O Fundo Eleitoral foi a principal fonte de financiamento, com R$ 88,67 milhões. Outros R$ 8,01 milhões vieram do Fundo Partidário.
Somados, os dois fundos responderam por R$ 96,68 milhões, ou 79,6% das receitas declaradas naquele levantamento. Os registros também incluem doações de pessoas físicas, recursos dos próprios candidatos e transferências entre partidos e campanhas.
Na mesma consulta, as despesas contratadas somavam R$ 94,64 milhões. Esse valor e os R$ 115,5 milhões do balanço mais recente do TRE-MS correspondem a datas e recortes diferentes da prestação de contas.
Riedel, Reinaldo e Contar declararam R$ 11,78 milhões em despesas
A campanha do governador reeleito Eduardo Riedel (PP) registrou aproximadamente R$ 6,17 milhões em despesas contratadas, conforme os dados compilados pela Vototeca. Entre os eleitos para o Senado, Reinaldo Azambuja (PL) declarou R$ 3,47 milhões e Capitão Contar (PL), R$ 2,14 milhões.
Juntas, as duas campanhas ao Senado contrataram R$ 5,61 milhões em despesas, cerca de R$ 560 mil a menos que a campanha de Riedel. O total declarado pelos três eleitos chegou a R$ 11,78 milhões.
Onze dos 13 atrasados disputaram vagas na Assembleia
Dos 13 candidatos que perderam o prazo, 11 concorreram a deputado estadual, entre eles o ex-prefeito de Corumbá Marcelo Aguilar Iunes (PP). Também ficaram pendentes as contas de uma candidata a deputada federal e de Renato Wanderley Gomes (DC), que disputou o governo de Mato Grosso do Sul.
O Democracia Cristã concentrou sete dos 13 casos. O Republicanos teve três candidatos em atraso, o PL teve dois e o PP, um. A prestação de contas é obrigatória inclusive para quem encerrou a campanha sem arrecadar dinheiro ou contratar despesas.
O prazo de 3 de novembro valia para quem disputou apenas o primeiro turno. Para as candidaturas e os órgãos partidários abrangidos pelo segundo turno, o calendário prevê a entrega das contas finais até 14 de novembro.
Julgamentos devem sair antes da diplomação
O TRE-MS informou que notificará os 13 candidatos em atraso. A partir da notificação, eles terão três dias para entregar a documentação. Se as contas forem julgadas não prestadas, os candidatos poderão ficar sem quitação eleitoral, o que pode comprometer o registro de uma futura candidatura.
O tribunal deu prioridade a 57 processos, que abrangem as contas dos eleitos para o governo, o Senado, a Câmara dos Deputados e a Assembleia Legislativa, além dos suplentes incluídos no cronograma. A previsão é concluir a análise técnica até 26 de novembro. Depois, o Ministério Público Eleitoral deverá se manifestar antes do julgamento.
A Justiça Eleitoral examinará a origem dos recursos e a regularidade das despesas. As contas poderão ser aprovadas, aprovadas com ressalvas, desaprovadas ou julgadas não prestadas. A publicação das decisões está prevista para 14 de dezembro, três dias antes da diplomação, marcada para 17 de dezembro.
