Mato Grosso do Sul registrou 431 vítimas de homicídio entre 1º de janeiro e 31 de outubro de 2026, conforme balanço da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O número supera em 29 mortes o total registrado ao longo de 2025.
Nos primeiros dez meses do ano passado, foram contabilizadas 325 vítimas. A diferença é de 106 mortes na comparação entre os dois períodos.
Para o professor de Direito da Uniderp Rafael Sampaio, a alta exige uma análise dos locais e das circunstâncias dos crimes. Entre as hipóteses apontadas pelo especialista estão os confrontos entre facções e a ocorrência de crimes com várias vítimas, como chacinas.
Disputa por rotas do tráfico
Mato Grosso do Sul tem fronteira com o Paraguai e a Bolívia, com trechos de divisa seca utilizados em rotas do tráfico de drogas. Na avaliação de Sampaio, disputas pelo controle dessas rotas podem provocar confrontos e execuções, sobretudo em municípios usados para armazenar e distribuir entorpecentes.
O professor chama a atenção para a estrutura policial nas cidades menores do interior, onde as equipes podem ser reduzidas mesmo em áreas de interesse de grupos criminosos. Ele avalia que uma sequência de mortes em curto intervalo exige maior mobilização policial e pode dificultar a resposta a novas ocorrências.
Na avaliação de Sampaio, a combinação de rotas internacionais de tráfico e equipes reduzidas em alguns municípios pode favorecer a expansão das facções. Ele aponta o risco de esses grupos ampliarem o controle sobre territórios e passarem a atuar também na economia formal das cidades.
Mortes por ocorrência
Uma das questões levantadas por Sampaio é se houve mais ocorrências de homicídio ou se aumentou o número de vítimas por caso. A distribuição dos registros por mês e município também ajudaria a identificar se a alta se concentrou em determinados locais ou se ocorreu de forma contínua em diferentes regiões do Estado.
O local do crime, o perfil da vítima e a forma como o homicídio foi cometido ajudam a distinguir execuções de mortes decorrentes de brigas, desentendimentos entre vizinhos ou conflitos familiares. Para o professor, entender essas diferenças permite direcionar as ações de prevenção conforme o tipo de violência registrado em cada região.
Os dados de novembro e dezembro, na avaliação de Sampaio, ajudarão a indicar se a alta se mantém até o fim do ano.
O que diz a Sejusp
A Sejusp afirmou que o combate aos homicídios e ao crime organizado é prioridade permanente e que cada morte é investigada individualmente. A secretaria informou que as forças de segurança atuam com inteligência, policiamento direcionado, investigação criminal e integração entre órgãos.
A pasta também destacou as operações na fronteira e os investimentos do governo estadual no fortalecimento das forças policiais.
