Visivelmente abalado e com a voz trêmula, o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal afirmou nesta quarta-feira (27), durante audiência na 1ª Vara do Tribunal do Júri, que não teve intenção de matar o fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini. Réu pelo assassinato ocorrido em março deste ano, Bernal declarou que acreditou estar diante de homens armados ao encontrar a vítima dentro da casa que havia sido arrematada em leilão judicial.
“Se eles tivessem ficado quietos, eu não ia disparar”, afirmou o ex-prefeito ao se referir também ao chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, ouvido anteriormente como testemunha de acusação.
Durante o depoimento ao juiz Luiz Alberto Garcete, Bernal sustentou que, no momento da abordagem, teve a impressão de que os dois homens portavam armas. “Naquele momento, eu achei que os dois estavam armados. Para mim, eles portavam armas”, declarou.
Ao ser questionado sobre os disparos que atingiram Mazzini, Bernal disse não ter percebido imediatamente que a vítima havia caído após o primeiro tiro. Segundo ele, toda a situação ocorreu rapidamente e sob forte abalo emocional.
O magistrado confrontou o ex-prefeito com o laudo pericial que aponta um segundo disparo quando a vítima já estava caída. Bernal negou essa versão. “Eu nunca atirei em um bicho caído, vou atirar em um ser humano? Deus me livre”, respondeu.
Ele afirmou ainda que os tiros ocorreram à curta distância porque ambos caminhavam um em direção ao outro no momento da confusão. Segundo Bernal, Mazzini teria caído apenas após o segundo disparo.
O ex-prefeito também alegou que acreditava estar diante de uma nova tentativa de invasão ou furto, já que, segundo ele, o imóvel já havia sido alvo de crimes anteriormente. Para Bernal, uma pessoa agindo de forma legal estaria acompanhada por oficial de Justiça ou policiais.
Sobre a arma utilizada no crime — um revólver calibre 38 com porte vencido desde 2019 — Bernal disse desconhecer a irregularidade da documentação. Ele afirmou que não tinha hábito de andar armado e acreditava que a situação do armamento estava regularizada.
Em diversos momentos do depoimento, Bernal afirmou ter prestado socorro à vítima após perceber a gravidade da situação. Segundo ele, foi quem acionou o Samu, chamou a polícia e pediu ajuda a pessoas próximas.
Ao final da audiência, o ex-prefeito mencionou o sofrimento das famílias envolvidas no caso. “Hoje tem uma família chorando a ausência do seu ente querido, e tem outra família com o seu ente querido atrás das grades. Eu não fui homem de matar o outro. Eu fui defender minha casa e defender minha família”, declarou.

