O mês de julho de 2026 é o segundo com mais feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul em dez anos.
Levantamento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) mostra que o mês só não teve mais registros do crime que o de 2023, quando 6 mulheres foram mortas nos 31 dias do mês.
Em 2026, a morte de Adrielle Rodrigues, de 26 anos, nesta sexta-feira (31) marcou o 5º crime contra mulheres no Estado no mês de julho.
Os crimes no mês deste ano começaram no dia 11, com a morte de Paula de Souza Conceição. Das cinco vítimas, quatro foram esfaqueadas pelo companheiro ou ex-companheiro.
Em dois casos, o suspeito fugiu do local do crime ou tirou a própria vida. Nos outros três, os autores se apresentaram à polícia. Entre os motivos recorrentes, o agressor não aceitava o fim do relacionamento com a mulher.
A relação de crimes de feminicídios registrados nos meses de julho desde 2016 é:
2016: nenhuma ocorrência
2017: 2
2018: 3
2019: nenhuma ocorrência
2020: 1
2021: 2
2022: 2
2023: 6
2024: 0
2025: 3
2026: 5
Também foi o mês mais letal para mulheres em 2026, ficando à frente do mês de março, que registrou 4 ocorrências. Janeiro e fevereiro registraram três vítimas cada. Em abril, foram 3. Maio e junho tiveram 1 caso em cada.
Ao todo, já foram registrados 18 crimes de feminicídio no ano.
Violência contra mulheres
De acordo com a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em Mato Grosso do Sul, os crimes contra mulheres aumentaram, seja em feminicídios ou lesão corporal em contexto de violência doméstica.
O número de feminicídio subiu de 35 em 2024 para 39 em 2025. Neste ano, 18 mulheres já foram vítimas deste crime.
Um outro delito que aumentou de forma significante em MS foi o de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica. Em 2025, foram registrados 2.871 casos, alta de 19,4% em comparação com 2024, quando teve 2.385 casos.
Mato Grosso do Sul esteve muito acima de média nacional em casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica e ocupou a segunda colocação em crescimento.
O Brasil teve alta de 2,6% em relação ao ano anterior, o que significa uma taxa de 261,7 registros por grupo de 100 mil mulheres. Isto é pelo menos 1 agressão a mulher a cada 2 minutos.
Denuncie
Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).
A Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande está localizada na Rua Brasília, no bairro Jardim Imá.
O sinal “X” da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades.
Escala de feminicídios em MS
Em Mato Grosso do Sul, já foram contabilizados 18 feminicídios em todo o Estado desde o início de 2026.
O primeiro feminicídio de 2026 em Mato Grosso do Sul ocorreu em 16 de janeiro, na aldeia Damakue, em Bela Vista. A vítima, Josefa dos Santos, de 44 anos, foi morta a tiros pelo marido, que em seguida tirou a própria vida.
Em 24 de janeiro, a aposentada Rosana Candia Ohara, de 62 anos, foi assassinada a pauladas pelo marido em Corumbá.
Em 22 de fevereiro, Nilza de Almeida Lima, de 50 anos, foi morta a facadas em Coxim. O principal suspeito é o próprio filho da vítima, de 22 anos.
No dia 25 de fevereiro, Beatriz Benevides da Silva, de 18 anos, foi assassinada em Três Lagoas. O autor do crime foi o namorado da jovem, Wellington Patrezi, que procurou a polícia e confessou o feminicídio.
No dia 6 de março morreu Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos, que estava internada após ser brutalmente agredida pelo marido em Três Lagoas.
Com infos do Correio do Estado

