As conversas para que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) componha como candidata a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República ganharam força nos últimos dias. Embora interlocutores da parlamentar afirmem que ela passou a considerar a possibilidade de aceitar o convite, a assessoria da ex-ministra da Agricultura informou, por meio de nota oficial, que não existe definição sobre o assunto.
Segundo o comunicado, Tereza Cristina e Flávio Bolsonaro se reuniram recentemente e, pela primeira vez, discutiram a possibilidade de uma composição para a disputa presidencial.
“A senadora Tereza Cristina reuniu-se ontem com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. No encontro, produtivo, falou-se, pela primeira vez, sobre a vice-presidência, mas nada foi decidido, até porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, diz a nota.
Mesmo que a senadora aceite o convite, a eventual aliança ainda precisará ser aprovada pelo PP, partido que integra a federação União Progressista ao lado do União Brasil. A posição da federação sobre a eleição presidencial também pesa nas negociações, já que a legenda havia sinalizado neutralidade na disputa nacional.
A maioria dos dirigentes do PP se manifestou contra uma coligação com Flávio Bolsonaro (PL) e, assim, barraria a chance de a senadora Tereza Cristina (MS) ser vice na chapa do pré-candidato à Presidência. A decisão ocorreu após o presidente nacional da sigla, o senador Ciro Nogueira (PI), consultar lideranças estaduais da legenda.
A escolha de uma mulher para ocupar a vice é considerada estratégica pela campanha de Flávio Bolsonaro, que busca ampliar sua presença entre o eleitorado feminino. A aproximação com Tereza Cristina também fortalece o diálogo com o agronegócio e setores ligados à produção rural.
Em abril, o próprio Flávio já havia elogiado publicamente a senadora, afirmando que ela era o “sonho de consumo” para integrar sua chapa. Na época, porém, Tereza Cristina demonstrava resistência à ideia e mantinha como prioridade a disputa pela presidência do Senado, objetivo que continua sendo tratado como um de seus principais projetos políticos.
No último dia 21, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a afirmar que as negociações não haviam avançado justamente porque a senadora mantinha o foco na sucessão do comando do Senado Federal.
Apesar disso, as conversas foram retomadas no fim de semana passado, quando Flávio Bolsonaro voltou a procurar a ex-ministra. Integrantes do entorno da parlamentar avaliam que a reaproximação ocorreu após movimentos de setores do agronegócio e de lideranças partidárias defenderem o lançamento de Tereza Cristina como candidata à Presidência da República. Diante desse cenário, o PL teria intensificado as articulações para assegurar sua participação como vice na chapa presidencial.
