A senadora por Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP), não disputará a Vice-Presidência da República ao lado do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Embora as tratativas tivessem avançado nos últimos dias, o Progressistas (PP) decidiu vetar a aliança para preservar a posição de neutralidade da sigla na corrida presidencial de 2026.
A decisão foi confirmada pelo partido por meio de nota oficial: “O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”.
A definição pela neutralidade foi articulada pelo presidente nacional da sigla, Ciro Nogueira, respaldado por forte pressão de bancadas estaduais, em especial no Nordeste, onde o PP possui alianças e dinâmicas locais heterogêneas:
Ceará: A cúpula nacional da federação validou o apoio a Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado, tendo Roberto Cláudio (União) como vice e Capitão Wagner ao Senado. No entanto, diretórios regionais do PP e do União acionaram a Justiça buscando apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT).
Pernambuco: O partido marcou convenção para 1º de agosto para alinhar as candidaturas proporcionais e a estratégia do deputado federal Eduardo da Fonte rumo ao Senado.
Piauí e Alagoas: No Piauí, a oposição articula a ex-deputada Margarete Coelho (PP) ao governo com suporte de Ciro Nogueira. Em Alagoas, sob influência do deputado Arthur Lira, o PP se consolida como principal polo de oposição ao grupo liderado por Renan Calheiros.
Horas antes da nota do PP, Flávio Bolsonaro havia declarado publicamente que a senadora havia aceito o convite.
“Tereza Cristina é um caso excepcional. Foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro. É respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. O convite foi feito, ela aceitou, e agora vamos para as conversas para saber se o partido vai avançar ou não”, afirmou o pré-candidato.
Tereza Cristina, contudo, ponderou o cenário em suas redes sociais antes do desfecho. “Nada foi decidido, porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, escreveu.
Com a recusa do PP, a vaga de vice na chapa do PL continua aberta. O partido busca preferencialmente um nome feminino para o posto — indicação respaldada pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto.
Entraram na cota de cotações a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, além das deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC), Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Técio (PP-SP).
As legendas partidárias têm até quarta-feira, 5 de agosto, para definir formalmente suas chapas e candidatos nas convenções, e até o dia 15 de agosto para realizar o registro oficial das candidaturas junto à Justiça Eleitoral.
