Investigados confirmaram à Polícia Federal autoria de áudios sobre envenenamento de água em aldeia de Tacuru, mas negaram intenção de executar o ataque
Dois servidores da Prefeitura de Tacuru admitiram à Polícia Federal que são autores dos áudios com ameaças de envenenamento da água consumida por indígenas Guarani-Kaiowá da Aldeia Sassoró, no sul de Mato Grosso do Sul. Entretanto, alegaram que as declarações foram feitas sob efeito de álcool e em meio à tensão política após as eleições.
A informação foi confirmada neste sábado (31) pelo diretor de Amazônia e Meio Ambiente da Polícia Federal, Humberto Freire, durante a visita de ministros do governo federal ao Estado.
Segundo o dirigente, os servidores foram interrogados na sexta-feira (30) e reconheceram a autoria das gravações, mas sustentaram que não tinham intenção nem condições de concretizar as ameaças. Eles chegaram a classificar as declarações como uma brincadeira e uma atitude impensada.
As justificativas, entretanto, não encerraram a investigação. Freire afirmou que a PF continuará reunindo provas para esclarecer as circunstâncias, a motivação e a gravidade das ameaças.
Os dois investigados foram ouvidos e liberados. Seus nomes não foram divulgados. Após a conclusão do inquérito, o material será encaminhado ao Ministério Público e à Justiça para avaliação de eventuais responsabilidades criminais.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, também ressaltou que a alegação de embriaguez não afasta a necessidade de apuração rigorosa.
O caso motivou a presença de uma comitiva federal em Mato Grosso do Sul, integrada ainda pelos ministros Eloy Terena, dos Povos Indígenas, e Janine Mello, dos Direitos Humanos e da Cidadania.
Durante a agenda deste sábado, os representantes do governo visitaram a Aldeia Taquaperi, na região de fronteira com o Paraguai, e a Aldeia Sassoró, em Tacuru, comunidade diretamente atingida pelas ameaças.
