Acusado de envolvimento em dezenas de golpes relacionados à compra e venda de veículos, Higor de Sousa Regis deixou a prisão em agosto após conseguir na Justiça a redução da fiança de R$ 162 mil para cerca de R$ 16 mil. Ele passou a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Os processos envolvendo o acusado apontam prejuízos que, somados, chegam a aproximadamente R$ 2 milhões. Higor responde a diversas ações judiciais por suspeita de estelionato e também é acusado de furto em um dos casos.
Durante audiência realizada no dia 4 de agosto, o juiz Roberto Ferreira Filho decidiu reduzir a fiança anteriormente estipulada para o equivalente a dez salários mínimos. O pagamento foi realizado dois dias depois e Higor acabou colocado em liberdade no dia 14 de agosto.
Apesar da soltura, ele ainda responde a outros processos em andamento e poderá voltar a ser preso caso haja nova decisão judicial nesse sentido.
No processo que levou à prisão, uma mulher afirma que negociava a venda de uma caminhonete com Higor. Segundo o relato apresentado às autoridades, ele teria ficado com o veículo sob a justificativa de apresentá-lo a um possível comprador.
O automóvel, porém, não teria sido devolvido. Durante o depoimento prestado na investigação, a vítima descobriu que a caminhonete teria sido vendida no mesmo dia em que foi entregue ao acusado. O dinheiro obtido com a negociação, conforme a acusação, não teria sido repassado à proprietária.
As investigações também reuniram relatos de outras pessoas que afirmam ter sofrido prejuízos em negociações semelhantes envolvendo a garagem Autor Car e Pub, administrada por Higor.
A maior parte dos casos teria ocorrido em Campo Grande entre os anos de 2022 e 2026 e apresenta características semelhantes, principalmente envolvendo intermediação e venda de veículos.
Em manifestações apresentadas durante o processo, Higor alegou dificuldades financeiras ao contestar a fiança inicialmente estabelecida em R$ 162 mil. Nos autos, contudo, consta a informação de que ele reside em um condomínio de alto padrão na região do Tiradentes, em Campo Grande.
O Ministério Público chegou a analisar a possibilidade de ampliação da denúncia para abranger mais de 47 supostos crimes de estelionato atribuídos ao acusado.
O órgão ponderou, entretanto, que reunir todas as acusações em um único processo poderia dificultar a produção de provas e tornar a tramitação mais lenta, diante da quantidade de vítimas, testemunhas e circunstâncias diferentes. A medida também poderia comprometer o exercício da defesa, segundo a manifestação apresentada ao Judiciário.
