Resíduos característicos de disparo de arma de fogo foram encontrados na mão direita do médico João Jazbik Neto, de 78 anos, acusado de matar a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51, em Campo Grande. Nas mãos da vítima, a perícia não identificou a combinação de elementos que indicaria que ela tivesse efetuado o disparo.
A conclusão consta em laudo do Instituto de Criminalística elaborado durante a investigação da morte de Fabíola, encontrada sem vida em 18 de maio, na residência onde morava com João, na Chácara dos Poderes.
O revólver calibre .357 estava debaixo do corpo da fisioterapeuta. Inicialmente, o médico sustentou a hipótese de suicídio, versão posteriormente contestada pela investigação.
Segundo a perícia, Fabíola teria sido atingida primeiro por golpes na cabeça e, depois, por um disparo. João foi indiciado pela Polícia Civil por feminicídio, fraude processual, violência psicológica e crimes relacionados à posse irregular de armas. A defesa nega as acusações.
Exame encontrou três elementos na mão do médico
A perícia recolheu amostras das mãos de Fabíola, de João e de dois funcionários do casal.
Na mão direita do médico foram encontrados chumbo, bário e antimônio. De acordo com o laudo, a presença conjunta dessas três substâncias é característica de resíduos produzidos por disparos de arma de fogo.
Nas mãos de Fabíola foi encontrado apenas chumbo. O próprio laudo ressalta que a substância isolada não comprova que ela tenha disparado a arma, já que o elemento também está presente no projétil.
Os dois funcionários submetidos ao exame não apresentaram a combinação de resíduos.
Para conferir o resultado, os peritos também realizaram um teste com o mesmo revólver e uma das munições encontradas no tambor. Depois de efetuar o disparo, a perita responsável apresentou os três elementos na mão utilizada para atirar.
Trajetória também contraria hipótese de suicídio
Outro ponto considerado relevante foi a trajetória do projétil. A bala atravessou a cabeça de Fabíola e terminou alojada atrás de um quadro no quarto.
Segundo os cálculos periciais, o disparo seguiu de baixo para cima e da esquerda para a direita, em ângulo entre 31,6 e 47,8 graus.
A equipe refez a trajetória manualmente e com scanner tridimensional. As análises indicaram que o tiro teria partido de uma região à frente do sofá.
Três possíveis posições em que Fabíola poderia ter efetuado o disparo contra si mesma foram simuladas. Nenhuma delas, segundo os peritos, conseguiu conciliar a posição do corpo, da arma, das mãos, as manchas de sangue e a trajetória do projétil.
Perícia aponta alteração da cena
O laudo também identificou sinais de que o corpo e objetos do quarto teriam sido movimentados após os ferimentos.
Manchas de sangue no rosto e no pescoço indicariam que, em determinado momento, a cabeça da fisioterapeuta esteve abaixo do restante do corpo. Uma almofada e uma bolsa também teriam sido encontradas em posições diferentes daquelas indicadas pela dinâmica das manchas.
A reconstrução considerada mais provável pela perícia aponta que Fabíola estava em pé quando recebeu o primeiro golpe na cabeça, caiu de joelhos e sofreu novas agressões. Depois, sua cabeça teria sido levantada antes do disparo.
Defesa contesta perícia
A defesa de João Jazbik Neto rejeita as conclusões da investigação. O advogado José Belga Trad afirma que o médico é inocente e considera os laudos periciais “precários” e “amadores”.
A defesa informou que contestará os exames durante o processo e ressalta que o recebimento da denúncia pela Justiça não representa condenação.
