A defesa do empresário Arthur Torres Rodrigues Navarro, de 34 anos, apresentou duas perícias particulares que apontam a conduta do motoentregador Hudson de Oliveira Ferreira, de 39 anos, como fator determinante para o acidente que resultou em sua morte, em Campo Grande. Os documentos foram anexados ao processo antes da próxima audiência de instrução e julgamento, marcada para o dia 3 de julho.
Um dos laudos, elaborado por um médico especialista, sustenta que houve demora no atendimento da vítima após o acidente, o que teria contribuído para o agravamento do quadro clínico. Segundo o parecer, Hudson sofreu fraturas graves nas pernas, associadas a choque hemorrágico e possível lesão vascular, e permaneceu cerca de uma hora sem acesso ao tratamento hospitalar definitivo. A conclusão do documento é que essa demora teria interferido diretamente no desfecho fatal.
Já a perícia de engenharia de tráfego conclui que o motociclista realizou uma entrada repentina na via ao sair de um estacionamento em local proibido, atravessando uma faixa dupla contínua. De acordo com os peritos contratados pela defesa, essa manobra foi a causa principal da colisão, enquanto a velocidade acima do limite permitida atribuída ao motorista não teria sido determinante para o acidente.
O estudo também aponta que o tempo disponível para reação teria sido insuficiente para evitar o impacto e afirma que a manobra de desvio realizada pelo condutor do Porsche reduziu a gravidade da colisão, transformando um possível choque frontal em um impacto lateral.
O processo está em fase de instrução. Na audiência realizada na semana passada, a Justiça autorizou a participação do filho da vítima como assistente de acusação. Também foi agendado para o próximo dia 3 de julho o depoimento de uma testemunha de defesa. Após essa etapa, o caso deverá seguir para as alegações finais e posterior sentença.
O Ministério Público acusa Arthur Navarro de homicídio culposo na direção de veículo automotor, omissão de socorro e afastamento do local do acidente. A promotoria também pede indenização de R$ 500 mil aos familiares da vítima.
O acidente ocorreu em 22 de março de 2024, na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados. Conforme a acusação, o empresário conduzia o veículo a 89 km/h, deixou o local sem prestar socorro e posteriormente teria buscado eliminar vestígios do acidente. Em depoimento, ele afirmou que não percebeu ter atingido o motociclista e que só soube da ocorrência no dia seguinte.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da colisão e mostram o veículo deixando o local logo após o impacto. O Ministério Público recusou a possibilidade de acordo e argumenta que a conduta do réu após o acidente demonstrou indiferença em relação à vítima.
Familiares de Hudson Ferreira aguardam a conclusão do processo e defendem a condenação do empresário, que já havia se envolvido em outro acidente com motociclista em 2014, ocasião em que a vítima sobreviveu, apesar dos ferimentos graves.
