O músico Caio César Nascimento Pereira afirmou à Justiça que matou a jornalista Vanessa Ricarte após uma discussão, mas alegou não se lembrar de detalhes centrais do crime, incluindo o que teria sido dito pela vítima antes do ataque. O depoimento foi prestado durante interrogatório na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Campo Grande.
Segundo o réu, o relacionamento era estável e marcado por afeto. “Era um relacionamento normal, com muito amor envolvido”, declarou, ao negar episódios anteriores de violência. Ele também contestou a acusação de controle psicológico, afirmando que o compartilhamento de localização entre o casal era consensual e feito por meio de aplicativo de celular.
Sobre a acusação de perseguição (stalking), Caio admitiu que passou a monitorar a localização de Vanessa após suspeitas de traição, mas negou comportamento invasivo. “Eu não ficava ligando, porque tinha a localização”, disse. Em relação ao cárcere privado, negou ter impedido a vítima de sair de casa ou de se comunicar, versão que diverge da denúncia apresentada pelo Ministério Público.
O músico também confirmou que tentou divulgar um vídeo íntimo da jornalista, classificando o ato como reação emocional. “Foi no calor da emoção”, afirmou, alegando que o conteúdo não chegou a ser publicado.
Ao relatar o dia do crime, Caio disse que o casal havia decidido encerrar o relacionamento e que a conversa inicial ocorreu de forma tranquila. Depois, segundo ele, houve consumo de bebida alcoólica e uma nova discussão quando Vanessa voltou para casa.
O réu afirmou que não se recorda com precisão do momento da agressão, mas atribuiu o ataque a um impulso. Disse ter desferido ao menos um golpe, embora o laudo pericial aponte três perfurações no corpo da vítima.
Durante o interrogatório, Caio apresentou lacunas em pontos considerados relevantes, como a dinâmica exata da agressão e o conteúdo da discussão. Ele também negou ter tentado atacar o amigo da vítima, que estava no local no momento do crime.
Após o ataque, segundo o depoimento, ele entrou em estado de choque e permaneceu na residência até a chegada da polícia.
O caso é julgado pelo Tribunal do Júri e envolve acusações que incluem feminicídio, além de outros crimes apontados na denúncia do Ministério Público.

