A direção nacional do Partido Liberal (PL) firmou um contrato financiado com recursos do Fundo Partidário com a agência de publicidade de Iara Diniz Contar, esposa do ex-deputado e atual pré-candidato ao Senado em Mato Grosso do Sul, Capitão Renan Contar.
O acordo foi assinado em dezembro de 2025, às vésperas do ano eleitoral, e prevê repasses mensais de R$ 150 mil à empresa Diniz Ação em Marketing Ltda. A contratação ocorreu no mesmo período em que Contar oficializou sua filiação ao partido, em 2 de dezembro de 2025, em Brasília, sem comunicação prévia ao diretório estadual.
Entre janeiro e março de 2026, o partido já destinou R$ 370 mil à empresa, o que levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses e eventual uso indireto de recursos públicos para fortalecer a pré-campanha do político no estado.
Filiação e contrato
A contratação da agência coincidiu com o processo de consolidação da pré-candidatura de Contar ao Senado. O contrato foi assinado em 18 de dezembro de 2025 pelo representante legal do diretório nacional da sigla, Jucivaldo Salazar Pereira.
Embora o pagamento seja realizado pelo diretório nacional, sediado em Brasília, o documento estabelece que os serviços têm como foco a orientação de publicidade, marketing e produção de conteúdo no Mato Grosso do Sul, incluindo atuação junto a mandatários indicados pelo partido.
Na prática, a empresa da esposa do principal pré-candidato da legenda no estado foi contratada para atuar na comunicação regional. Integrantes do partido em Mato Grosso do Sul, sob condição de anonimato, afirmam que a agência não presta serviços diretos ao diretório estadual.
O contrato tem vigência até 31 de julho de 2026, prazo que coincide com o período das convenções partidárias, quando as pré-campanhas passam a campanhas oficiais e as regras de financiamento se tornam mais rígidas.
Movimentações financeiras
Os registros bancários indicam rápida liberação de recursos no início de 2026:
- 9 de janeiro: pagamento de R$ 70 mil (Nota Fiscal nº 4483/U);
- 6 de fevereiro: pagamento de R$ 150 mil (Nota Fiscal nº 4485/U);
- 9 de março: pagamento de R$ 150 mil (Nota Fiscal nº 4487/U).
Um ponto que chamou atenção foi a alteração no regime tributário da empresa. As duas primeiras notas foram emitidas como se a empresa não estivesse enquadrada no Simples Nacional, o que levou à retenção de R$ 13.530 em tributos.
Posteriormente, a empresa apresentou documentação comprovando adesão ao Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2026 — apenas 13 dias após a assinatura do contrato. Diante disso, o partido efetuou depósitos para compensar os valores retidos.
As notas fiscais descrevem de forma ampla os serviços prestados, incluindo marketing digital, produção audiovisual, criação de conteúdo e assessoria de imprensa.
Questionamentos legais
Especialistas em direito eleitoral apontam que, embora a contratação de empresas ligadas a familiares de filiados não seja expressamente proibida fora do período eleitoral, o caso levanta preocupações.
Segundo avaliação jurídica, se os serviços financiados com o Fundo Partidário estiverem sendo utilizados, na prática, para promover a imagem de um pré-candidato específico sob a justificativa de comunicação institucional, pode haver desvio de finalidade e abuso de poder econômico na fase pré-eleitoral.
A legislação estabelece que os recursos do Fundo devem ser destinados exclusivamente à manutenção das atividades partidárias e à comunicação institucional.
Posicionamento
A direção nacional do partido, o pré-candidato Capitão Renan Contar e a empresária Iara Diniz Contar foram procurados para comentar o caso, incluindo detalhes sobre a contratação e os serviços prestados no estado. Até o momento, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
