Quase dois anos após a primeira fase da Operação Pretense, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPE), voltou a atuar nesta terça-feira (31) em Coronel Sapucaia com a deflagração da Operação Mão Dupla. Novamente, um grupo empresarial está no centro das investigações conduzidas pelos promotores. O ex-prefeito de Coronel Sapucaia, Rudi Paetzold (MDB), a filha dele, Adriane Paetzold, e outros 11 investigados foram alvo de operação.
A empresa A. D. M. Construtora (CNPJ 22.316.305/0001-40) foi contratada em 2024 para executar a construção de um novo hospital no município, que substituiria o Hospital Municipal Aparício Vidal Garcia. Para a obra, o Governo do Estado repassou R$ 9,1 milhões.
Desde 2020, a construtora acumulou mais de R$ 15 milhões em contratos com o poder público. O contrato referente ao hospital foi firmado em junho de 2022, com vigência até junho de 2025, mas a obra não foi concluída dentro do prazo estabelecido.
Atualmente, a empresa mantém apenas um contrato ativo com a prefeitura, referente à reforma da Escola Municipal Fernando de Souza Romanini. Inicialmente orçado em R$ 1,3 milhão, o acordo foi renovado por mais 12 meses, até junho de 2026, com reajuste para R$ 2 milhões.
A Operação Mão Dupla, considerada a segunda fase da Pretense, foi deflagrada em 31 de março de 2026 e tem como alvo uma família proprietária de empresas suspeitas de fraudar licitações e contratos públicos.
Ao todo, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, 13 medidas cautelares diversas — incluindo proibição de acesso à prefeitura, impedimento de contato entre investigados e uso de monitoramento eletrônico — além de dois mandados de busca pessoal e dois de afastamento de funções públicas. As ações ocorreram em Coronel Sapucaia, Amambai, Ponta Porã e Caarapó.
Até 2024, o município era administrado pelo prefeito Rudi Paetzold (MDB). Em 2025, o cargo passou a ser ocupado por Niágara Kraievski (PP).
Na primeira fase da Operação Pretense, realizada em dezembro de 2024, já haviam sido cumpridos mandados de busca na prefeitura e em empresas ligadas ao grupo investigado. Na ocasião, foi apontado que uma das empresas contratadas sequer possuía sede, patrimônio ou funcionários, mesmo assim tendo sido escolhida para executar a obra do hospital municipal.
As investigações atuais indicam a possível prática de crimes como fraude em licitações, peculato, corrupção passiva e pagamentos irregulares em contratos públicos. Os fatos envolveriam agentes políticos, secretários, servidores e empresários com atuação no município.
O nome da operação faz referência a um bordão atribuído a um agente político investigado, utilizado durante negociações irregulares: “Você me ajuda que eu te ajudo”.
