O Governo de Mato Grosso do Sul iniciou um processo rigoroso de fiscalização e revisão de todos os contratos ativos com a Construtora Rial. A medida ocorre após a deflagração da Operação Buraco sem Fim, ocorrida na última terça-feira (12), que apura um esquema de corrupção e medições fraudulentas em serviços de manutenção asfáltica em Campo Grande.
Em nota, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog) confirmou que, embora os contratos estaduais atuais — voltados para a manutenção de rodovias — não sejam o alvo direto da operação policial, a gestão optou por reforçar o controle e o acompanhamento das obras para garantir a transparência e a integridade do erário.
Aditivos Sob Suspeita
O foco da atenção recai sobre as movimentações realizadas por Rudi Fiorese, ex-diretor-presidente da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), que foi preso durante a operação. Fiorese assumiu o comando da autarquia em 2 de fevereiro de 2026 e, apenas uma semana depois, autorizou um aditivo financeiro que elevou significativamente o valor de um contrato com a Rial.
- Região de Três Lagoas: O contrato para manutenção rodoviária recebeu um acréscimo de R$ 1,51 milhão (alta de 13,09%), saltando para um valor global de R$ 13,09 milhões.
- Região de Camapuã e Jaraguari: Outros termos aditivos foram assinados recentemente, prevendo tanto a prorrogação de prazos quanto novos aportes financeiros para obras de drenagem e pavimentação.
Atualmente, o Portal da Transparência aponta que a construtora possui três contratos ativos com a Agesul, que somam mais de R$ 50,5 milhões, montante que ainda não contabiliza as atualizações dos aditivos mais recentes.
Mudanças na Cúpula da Agesul
Diante das investigações, o governador Eduardo Riedel assinou a exoneração de Rudi Fiorese na última quarta-feira (13). O engenheiro possuía um longo histórico na administração pública, tendo chefiado a Secretaria de Obras de Campo Grande (Sisep) entre 2016 e 2023, antes de migrar para a esfera estadual.
Entenda a Operação “Buraco sem Fim”
A investigação conduzida pelas autoridades policiais e pelo Ministério Público identificou uma organização criminosa estruturada para fraudar a manutenção de vias públicas. O esquema funcionava da seguinte forma:
- Manipulação de Medições: A empresa registrava uma quantidade de serviço (tapa-buraco) superior à que era efetivamente realizada.
- Pagamentos Indevidos: O poder público pagava por materiais e horas de trabalho inexistentes.
- Dano ao Erário: Estima-se que, entre 2018 e 2025, a empresa tenha movimentado cerca de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos sob investigação.
- Consequência Social: Além do desvio de recursos, a fraude resultava na má qualidade crônica do asfalto na capital.
