Mato Grosso do Sul já registrou 8.116 casos de violência doméstica entre janeiro e 16 de maio de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS). O número expõe o avanço contínuo da violência contra a mulher no Estado e mantém Campo Grande como principal epicentro das ocorrências.
A Capital concentra 2.716 registros apenas neste ano — mais de um terço de todos os casos contabilizados em Mato Grosso do Sul. No interior, Dourados lidera o ranking, com 588 notificações.
Os números revelam que janeiro foi o mês mais violento para as mulheres sul-mato-grossenses em 2026, com 1.984 ocorrências registradas. Fevereiro teve o menor índice até agora, enquanto março voltou a apresentar forte alta.
Casos registrados por mês em 2026
- Janeiro: 1.984 casos
- Fevereiro: 1.700 casos
- Março: 1.949 casos
- Abril: 1.769 casos
- Maio (até 16/05): 714 casos
Municípios com mais registros de violência doméstica
- Campo Grande: 2.716 casos
- Dourados: 588 casos
- Três Lagoas: 427 casos
- Corumbá: 395 casos
- Ponta Porã: 227 casos
- Naviraí: 221 casos
Os dados reforçam uma escalada observada nos últimos anos, principalmente em Campo Grande, que bateu recorde histórico de denúncias em 2025.
Histórico de ocorrências em Campo Grande
- 2025: 7.900 casos
- 2024: 6.997 casos
- 2023: 6.918 casos
- 2022: 7.026 casos
Além da violência doméstica, o Estado também enfrenta alta nos feminicídios. Mato Grosso do Sul já contabiliza 12 mulheres assassinadas em 2026 em crimes classificados como feminicídio.
O caso mais recente ocorreu em Mundo Novo, onde Zelita Rodrigues de Souza, de 77 anos, foi morta pelo companheiro após anos de violência física e psicológica, segundo relatos da família. De acordo com parentes, a vítima sofria agressões constantes, queimaduras de cigarro e ameaças dentro do relacionamento abusivo.
Mulheres vítimas de feminicídio em MS em 2026
- Josefa dos Santos, 44 anos — Bela Vista
- Rosana Candia Ohara, 62 anos — Corumbá
- Nilza de Almeida Lima, 50 anos — Coxim
- Beatriz Benevides, 18 anos — Três Lagoas
- Liliane de Souza Bonfim Duarte, 51 anos — Ponta Porã/Dourados
- Leise Aparecida Cruz, 41 anos — Anastácio
- Ereni Benites, 44 anos — Paranhos
- Fátima Aparecida da Silva, 58 anos — Selvíria
- Marlene Brito Rodrigues, 59 anos — Campo Grande
- Vera Lúcia da Silva, 41 anos — Eldorado
- Ely da Silva Quevedo, 53 anos — Campo Grande
- Zelita Rodrigues de Souza, 77 anos — Mundo Novo
Os números mantêm Mato Grosso do Sul entre os estados com maiores índices proporcionais de violência contra a mulher no país e reacendem o debate sobre prevenção, proteção às vítimas e combate à reincidência dos agressores.
