O fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Bolívia, com reflexos diretos para Mato Grosso do Sul, esteve no centro de uma reunião realizada nesta segunda-feira (16), em Brasília. Durante almoço no Palácio do Itamaraty, o governador Eduardo Riedel discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente boliviano Rodrigo Paz estratégias de integração nas áreas de energia e logística.
Também participaram do encontro o secretário estadual Jaime Verruck e outras autoridades dos dois países. A agenda abordou temas considerados estratégicos para o desenvolvimento regional, como o gás natural boliviano, a integração ferroviária, a hidrovia do Rio Paraguai e a ampliação da cooperação energética bilateral.
Um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de ajustes regulatórios relacionados ao gás natural importado da Bolívia. O insumo entra no Brasil por Mato Grosso do Sul, tem peso relevante na arrecadação estadual e é considerado essencial para o avanço industrial. Segundo Riedel, a atualização das regras é fundamental para atrair novos investimentos e ampliar o crescimento econômico.
“Foi uma discussão importante para o Estado, especialmente sobre a reformulação da legislação do gás, que pode estimular novos aportes no setor”, afirmou o governador.
A integração logística também esteve em pauta, com destaque para o fortalecimento da hidrovia do Rio Paraguai e o futuro da ferrovia Malha Oeste, cuja concessão deve ser leiloada pelo governo federal até novembro. A proposta inclui a conexão da malha ferroviária brasileira à Ferroviaria Oriental, já em operação na Bolívia, ampliando o fluxo de mercadorias e consolidando o Estado como corredor logístico regional.
“Também tratamos da hidrovia e da situação da Malha Oeste. A Bolívia já conta com a linha Oriental, o que abre possibilidade de integração”, explicou Riedel.
Acordo amplia integração elétrica
Durante a agenda, Brasil e Bolívia firmaram ainda um acordo bilateral para interconexão elétrica. O projeto prevê a construção de linhas de transmissão e estruturas de grande capacidade entre os sistemas dos dois países, ligando a província de Germán Busch, em Santa Cruz, ao município de Corumbá.
A estrutura inclui uma estação conversora de frequência no lado brasileiro e linhas com capacidade aproximada de 420 megawatts (MW). A iniciativa permitirá o intercâmbio de energia elétrica a partir de excedentes de geração, além de possibilitar suporte emergencial em situações de instabilidade nos sistemas.
Pelo acordo, cada país será responsável por financiar, construir e operar a infraestrutura em seu território, com coordenação técnica de um comitê binacional.
Para Riedel, o projeto reforça a segurança energética e cria novas oportunidades para Mato Grosso do Sul. “A assinatura desse tratado é extremamente importante, pois amplia o suprimento de energia para o país e beneficia diretamente o Estado”, disse.
O presidente Lula destacou que a cooperação energética também pode ampliar o acesso à eletricidade em regiões ainda dependentes de combustíveis fósseis. “Vamos otimizar os recursos disponíveis e levar energia a áreas que ainda utilizam diesel, além de fortalecer a cooperação em biocombustíveis e fontes renováveis”, afirmou.
A posição geográfica de Mato Grosso do Sul, com extensa faixa de fronteira e localização estratégica no centro da América do Sul, foi apontada como um diferencial para ampliar a integração regional. O Estado tem potencial para se consolidar como corredor logístico tanto para exportações quanto para a entrada de produtos no país.
Para o governador, o encontro representa avanço nas negociações para viabilizar investimentos estruturantes. “Essas discussões devem resultar na consolidação de projetos importantes e no fortalecimento da integração econômica entre Mato Grosso do Sul, Brasil e Bolívia”, concluiu.

