A intensificação das tensões entre Irã e Estados Unidos, com envolvimento de Israel, já começa a impactar o mercado de combustíveis em Mato Grosso do Sul. Em alguns postos do Estado, o preço do diesel registrou aumento de até R$ 0,68 por litro.
A alta está relacionada à valorização do petróleo no mercado internacional após o agravamento do conflito no Oriente Médio, além do receio de restrições no fornecimento global da commodity, segundo especialistas do setor.
Em Campo Grande, dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP) indicam que o diesel custava, em média, R$ 5,91 por litro na primeira semana de março. Atualmente, o valor médio chega a R$ 6,59, evidenciando a volatilidade do mercado diante do cenário geopolítico. Em um dos postos da Capital, o combustível já foi encontrado próximo de R$ 7 por litro.
Na última semana, o barril de petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 (cerca de R$ 515), atingindo o maior patamar desde fevereiro de 2022.
A instabilidade foi agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, o que aumentou as preocupações com a oferta global e pressionou os preços de combustíveis e derivados.
De acordo com Edson Lazarotto, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Lubrificantes e Lojas de Conveniência de Mato Grosso do Sul (Sinpetro), a escalada do conflito teve efeito imediato na cotação do petróleo.
“Todo o setor do petróleo escalonou. Antes da guerra, o barril estava sendo negociado a cerca de US$ 62 e chegou a US$ 109 no início da semana”, afirmou.
Segundo ele, um pronunciamento recente do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando possível fim do conflito, provocou recuo na cotação da commodity para cerca de US$ 90, o que tem gerado oscilações no preço, principalmente do diesel.
Gasolina e etanol devem ter estabilidade
Apesar da alta mais evidente no diesel, especialistas avaliam que os preços da gasolina e do etanol tendem a permanecer relativamente estáveis no curto prazo, devido ao volume de combustíveis armazenados nas refinarias brasileiras.
O economista Eugênio Pavão explica que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã tem impacto direto sobre o mercado global de petróleo.
“O conflito representa uma tentativa de enfraquecimento do regime político e religioso dos aiatolás. Como a região é grande produtora de petróleo, qualquer queda na produção ou dificuldade no transporte do óleo provoca um novo choque nos preços, semelhante ao que ocorreu nas décadas de 1970 e 1980”, afirmou.
Segundo ele, mesmo com o aumento no diesel, os preços da gasolina e do etanol devem permanecer estáveis no curto prazo, graças ao nível de reservas existentes no país.
“O Brasil está em situação mais confortável que outros países, pois possui boas reservas e capacidade de exportação”, avaliou.
O economista acrescenta que os impactos mais significativos dependerão da duração do conflito.
“Se a guerra se prolongar por mais de 30 dias, aí sim poderemos sentir efeitos mais fortes no Brasil. Caso contrário, os impactos devem ser limitados”, disse.
Ele destaca ainda que países europeus e a China tendem a ser mais afetados no curto prazo, enquanto Mato Grosso do Sul pode sentir reflexos mais adiante.
Variação de preços
No cenário nacional, a gasolina passou de R$ 6,28 para R$ 6,30 entre a última semana de fevereiro e o dia 7 de março, enquanto o diesel subiu de R$ 6,03 para R$ 6,08 no mesmo período.
Em Mato Grosso do Sul, a gasolina comum apresenta preço médio de R$ 6,06, com valores que variam entre R$ 5,65 e R$ 6,95. Já o etanol tem média de R$ 4,26, com mínimo de R$ 4,03 e máximo de R$ 5,07.
Levantamento realizado na tarde desta terça-feira (10) em 20 postos de combustíveis de Campo Grande apontou variação de 7,5% no preço do etanol, com o menor valor encontrado no Posto Alloy, localizado entre a Rua Padre João Crippa e a Rua Marechal Rondon.
No caso da gasolina, o maior preço identificado foi de R$ 6,19 em seis estabelecimentos, enquanto o menor valor registrado foi de R$ 5,89, encontrado em dois postos da Avenida Costa e Silva.

