A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a origem da informação que apontava a possível contaminação por cocaína de uma carga de 260 toneladas de madeira apreendida na região de fronteira entre Brasil e Bolívia, nos municípios de Corumbá (MS) e Cáceres (MT). A medida foi adotada após laudo pericial divulgado em 22 de julho confirmar que não havia vestígios da droga nas amostras analisadas.
Segundo a corporação, o objetivo da investigação é esclarecer como surgiu a comunicação que levou à retenção da carga e à mobilização dos órgãos de fiscalização. A apuração não trata, neste momento, de uma eventual falsa comunicação, mas da origem das informações que motivaram a operação.
A carga foi retida em 21 de junho, após um alerta internacional indicar a possibilidade de que a madeira estivesse impregnada com cocaína. Conforme a Receita Federal, as informações foram compartilhadas pela Drug Enforcement Administration (DEA), dos Estados Unidos, e pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Bolívia.
Diante do alerta, equipes da Aduana Boliviana e da FELCN se deslocaram ao Porto Seco de Corumbá e solicitaram o retorno da carga ao território boliviano para procedimentos de controle. A Receita Federal classificou a situação como incomum, já que a mercadoria havia ingressado regularmente em recinto aduaneiro brasileiro.
Durante a fiscalização, foram realizados narcotestes preliminares pela Receita Federal e pela FELCN, que indicaram possível presença de cloridrato de cocaína. Com base nesses resultados iniciais e nas informações de inteligência recebidas, a carga foi retida de forma cautelar e a Polícia Federal acionada para realizar perícias e aprofundar as investigações.
No entanto, o laudo divulgado pela PF apontou resultado negativo para cocaína e para outras substâncias de interesse forense em todas as amostras examinadas.
Apesar da conclusão inicial, o caso segue em investigação. Ainda são aguardados os laudos do Instituto Nacional de Criminalística, e a carga permanece retida até a conclusão das diligências. O Ministério Público Federal e a Receita Federal já foram informados sobre a abertura do inquérito.
Em relação aos custos de armazenagem, a Receita Federal informou que o proprietário da carga poderá solicitar eventual ressarcimento por meio da via administrativa. O pedido será analisado individualmente, mediante comprovação dos prejuízos e do atendimento aos requisitos legais.
Operação internacional
A apreensão ocorreu durante a Operação Timber Shield, realizada em conjunto pela Receita Federal, Polícia Federal, Exército Brasileiro e órgãos de inteligência do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia.
Ao todo, cerca de 260 toneladas de madeira transportadas em oito caminhões foram fiscalizadas. Quatro veículos foram abordados em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT), após o compartilhamento de informações internacionais que indicavam risco de contaminação da carga por cocaína.
Embora os testes preliminares tenham apontado indícios da presença da droga, as análises laboratoriais realizadas pela Polícia Federal não confirmaram a suspeita, levando à abertura de um novo inquérito para esclarecer a origem do alerta que desencadeou toda a operação.
