Fiscalizações realizadas em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul resultaram no resgate de 36 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em 2026. As operações também levaram ao levantamento de R$ 454,1 mil em verbas rescisórias e R$ 1,74 milhão em indenizações por danos morais.
As ações foram conduzidas pela Superintendência Regional do Trabalho em diferentes municípios do Estado. Os casos envolvem atividades como pecuária, corte de madeira e eucalipto, limpeza de pastagens, construção de cercas e silvicultura.
Entre os trabalhadores resgatados estão brasileiros, paraguaios, indígenas e um boliviano. As fiscalizações também identificaram a presença de menor de idade entre as pessoas submetidas às condições consideradas degradantes.
Segundo o superintendente regional do Trabalho, Alexandre Cantero, os casos atingem principalmente grupos em situação de vulnerabilidade, sobretudo no meio rural.
“É mais no meio rural, é estrangeiro, é indígena, é uma população em situação de vulnerabilidade. Infelizmente, ainda é uma realidade, mas Mato Grosso do Sul é protagonista no combate a esse tipo de chaga social”, afirmou.
Cantero ressaltou ainda que o avanço econômico e tecnológico do agronegócio sul-mato-grossense contrasta com a permanência desse tipo de exploração.
“A pujança do nosso agro, a tecnologia que chega no campo, toda a organização, a competitividade que o agronegócio tem no Brasil, não combina com a condição análoga ao trabalho escravo”, declarou.
Resgates em seis municípios
Em Aquidauana, uma fiscalização realizada em março encontrou três brasileiros submetidos a condições análogas à escravidão em uma propriedade rural. Eles trabalhavam com pecuária, corte de lenha e construção de cercas.
Também em março, uma operação em Corumbá resultou no resgate de seis trabalhadores, sendo cinco indígenas e um boliviano. O grupo atuava na pecuária e na limpeza de pastagens.
No mesmo mês, três trabalhadores foram encontrados em uma propriedade de Bela Vista, onde exerciam atividades relacionadas à pecuária e à construção de cercas. O grupo era formado por um brasileiro e dois paraguaios. Um dos paraguaios era menor de idade.
A maior operação ocorreu em abril, em Figueirão. Ao todo, 16 trabalhadores foram resgatados enquanto atuavam na silvicultura e no corte de eucalipto. Eram dois brasileiros e 14 paraguaios.
Em julho, outros três trabalhadores — um brasileiro e dois paraguaios — foram resgatados em Jardim. Eles trabalhavam no corte de madeira e na construção de cercas.
Já em agosto, uma nova fiscalização em Corumbá resultou no resgate de dois brasileiros que trabalhavam na construção de cercas em uma fazenda.
Mais de 100 resgatados em 2025
Os números de 2026 dão continuidade às operações realizadas no ano passado. Em 2025, 104 trabalhadores foram resgatados em ações realizadas em Porto Murtinho, Corumbá, Paraíso das Águas, Maracaju, Coxim, Caarapó, Deodápolis, Nova Andradina, Anastácio, Itaquiraí, Bonito e Caracol.
Naquele ano, as fiscalizações resultaram no levantamento de aproximadamente R$ 860 mil em verbas rescisórias devidas aos trabalhadores.

