A Casas Bahia fechou pelo menos quatro lojas em Mato Grosso do Sul nesta sexta-feira (14), como parte de uma ampla reestruturação de sua operação no País. Duas unidades encerradas ficam em Dourados, enquanto Naviraí e Nova Andradina tiveram uma loja fechada em cada município.
O movimento faz parte de um plano nacional que prevê o encerramento de 298 estabelecimentos e o desligamento de aproximadamente 1,9 mil trabalhadores em diferentes regiões brasileiras.
A dimensão do corte representa uma mudança significativa na estrutura física da varejista. Ao final de 2025, a Casas Bahia mantinha 1.042 lojas em funcionamento. Dessa forma, as 298 unidades incluídas na reestruturação correspondem a aproximadamente 28,6% da rede existente naquele momento.
Duas lojas fecham em Dourados
Em Dourados, as duas unidades localizadas na Avenida Marcelino Pires, na região central, não abriram as portas nesta sexta-feira. Funcionários teriam sido surpreendidos pela decisão e informado sobre o encerramento das atividades ao chegarem para trabalhar.
Ainda não há informação oficial sobre quantos empregados foram desligados nas duas unidades ou se parte das equipes poderá ser aproveitada em outras operações da companhia.
A redução da rede também atingiu Naviraí. A loja da empresa no município encerrou as atividades, mas ainda não foi divulgado o número de funcionários afetados.
Situação semelhante ocorreu em Nova Andradina, onde outra unidade entrou na lista de estabelecimentos fechados. Informações divulgadas no município indicam que trabalhadores foram desligados após o encerramento da operação.
Até agora, portanto, Mato Grosso do Sul contabiliza quatro lojas fechadas em três municípios. O número ainda pode aumentar caso outras unidades do Estado façam parte do processo de reorganização da rede.
Corte atinge quase 300 lojas no País
O fechamento simultâneo de centenas de unidades representa uma aceleração do processo de redução da presença física da companhia. No fim de 2023, a rede contava com 1.078 lojas. O número caiu para 1.064 em 2024 e terminou 2025 em 1.042 estabelecimentos.
Diferentemente das reduções graduais dos últimos anos, a atual reestruturação concentra um número expressivo de fechamentos em um curto período.
Cerca de 600 funcionários teriam sido desligados já na quinta-feira (13), enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para sexta-feira. Dependendo do alcance das medidas adotadas pela companhia, o enxugamento do quadro de pessoal poderia chegar a 3 mil trabalhadores.
A expectativa é de que a varejista apresente mais detalhes ao mercado sobre a estratégia de redução de despesas e reorganização das operações.
Prejuízo bilionário pressiona varejista
A reestruturação ocorre em um período de dificuldades financeiras para a Casas Bahia. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 1,06 bilhão, resultado pressionado principalmente pelas despesas financeiras.
Mesmo com o resultado negativo, a receita líquida apresentou crescimento de 6,1% na comparação anual, chegando a R$ 7,4 bilhões. Já as despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram 5,4%, alcançando aproximadamente R$ 1,7 bilhão.
O ambiente econômico também impõe desafios ao setor varejista. Juros elevados, endividamento das famílias e menor disponibilidade de renda atingem especialmente empresas que possuem forte participação das vendas parceladas e da concessão de crédito em seus negócios.
A direção da Casas Bahia vinha sinalizando uma estratégia voltada à disciplina financeira, geração de caixa, controle de crédito, rentabilidade e maior eficiência operacional.
A companhia também ainda enfrenta os efeitos da recuperação extrajudicial iniciada em 2024, envolvendo aproximadamente R$ 4 bilhões em obrigações financeiras.
Empresa adia divulgação de balanço
Em meio às mudanças, a Casas Bahia adiou a divulgação dos resultados referentes ao segundo trimestre de 2026. O balanço estava inicialmente programado para quarta-feira (12) e foi transferido para esta sexta-feira (14).
A teleconferência da administração com investidores está prevista para segunda-feira (17). A expectativa é de que a companhia detalhe os efeitos financeiros do fechamento das lojas, a redução de despesas e os próximos passos para sua rede física.

