A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) estima que precisa de pelo menos 50 dias efetivos de trabalho para regularizar as condições das ruas de Campo Grande. Segundo o secretário André Brandão, a expectativa é chegar ao fim de 2026 com uma melhora na malha asfáltica, desde que as chuvas permitam a continuidade dos reparos.
O titular da pasta afirma que aproximadamente 80 mil buracos foram tapados nos quatro meses de sua gestão, com recuperação de cerca de 130 mil metros quadrados de pavimento. Nesse período, as equipes tiveram aproximadamente 80 dias com condições favoráveis para trabalhar.
“Desses quatro meses, nós tivemos cerca de 80 dias de estiagem, em que pudemos operacionalizar a ação de tapa-buracos. Nesses dias produtivos, precisamos também da contribuição do tempo, do clima”, explica.
A chuva interfere tanto na execução dos serviços quanto na conservação das vias. Nos primeiros 15 dias de outubro, o volume acumulado em Campo Grande ultrapassou 270 milímetros, acima da média histórica de 150,6 milímetros para o mês inteiro.
Prazo depende de dias produtivos
Em 18 de setembro, a Prefeitura anunciou a intenção de eliminar os buracos da cidade em até 60 dias. Brandão afirma, porém, que a estimativa considera os dias em que as equipes conseguem atuar, e não apenas a passagem do calendário.
“No mês de setembro, nós tivemos 15 dias produtivos de tapa-buraco. Então, precisamos de pelo menos uns 50 dias produtivos para que nós tenhamos a regularidade do serviço em Campo Grande”, declara.
De acordo com o secretário, o objetivo é permitir que os moradores circulem pelas ruas sem transtornos ou prejuízos provocados pelas condições do asfalto.
“Eu estimo que, até o fim do ano, tendo uma pausa nas chuvas, nós vamos virar o ano aí numa realidade totalmente diferente do que nós estamos hoje”, afirma.
Para ampliar o atendimento, a Prefeitura passou a contar com 12 frentes de trabalho após a assinatura da ordem de serviço, em meados de setembro. Em junho, havia apenas duas equipes responsáveis pelos reparos.
Segundo Brandão, a quantidade de buracos tapados diariamente passou de aproximadamente 400, em junho, para cerca de 2 mil, em setembro. A expectativa com a estrutura ampliada é alcançar até 3 mil reparos por dia. Caso esse ritmo seja atingido durante 50 dias de trabalho, poderão ser recuperados até 150 mil buracos.
Desgaste do pavimento
O secretário afirma que a abertura de novos buracos perto de trechos já recuperados pode estar relacionada ao comprometimento da base do pavimento. A combinação de chuva e circulação de veículos agrava esse desgaste.
“O que acontece é que um buraco, depois de tratado e de feitos todos os serviços de recuperação, pela base [do asfalto] estar comprometida, pode abrir um buraco próximo. Isso com a frequência de chuvas, o trânsito de veículos”, explica.
Caso o problema reapareça no mesmo ponto pouco depois da intervenção, Brandão afirma que a fiscalização aciona a empresa responsável para realizar a correção, conforme as obrigações contratuais.
A idade do pavimento também dificulta a manutenção. Segundo o secretário, grande parte da malha asfáltica da Capital tem entre 20 e 30 anos.
“Nós estamos tratando de uma malha asfáltica de 20, 30 anos na sua grande maioria. É importante frisar que a garantia do asfalto é de 10 anos. Então, nós temos asfaltos que estão comprometidos dentro de Campo Grande”, declara.
Atendimento nos bairros
A Sisep utiliza um levantamento técnico para identificar os pontos com maior incidência de buracos. O planejamento, entretanto, passa por ajustes conforme surgem situações emergenciais, principalmente após as chuvas.
A estratégia, segundo Brandão, é concentrar os serviços nos bairros até concluir os reparos necessários. Como parte da operação depende de trabalho manual, a permanência das equipes em uma mesma região pode chegar a duas ou três semanas.
Entre as vias com atendimento fixo estão as avenidas Ernesto Geisel, Gury Marques, Mascarenhas de Moraes e Cônsul Assaf Prado. A região central dispõe de duas equipes exclusivas, enquanto outras duas frentes atuam nas vias arteriais. Uma equipe menor, chamada de “flash”, realiza intervenções pontuais.
Além do tapa-buracos, a secretaria pretende iniciar obras de recapeamento ainda em 2026. A definição das primeiras ruas deverá ser discutida com a prefeita Adriane Lopes e dependerá dos recursos disponíveis.

