O episódio, ocorrido em reunião no fim de semana, resultou ainda na retirada de apoio de Bumlai ao projeto eleitoral de Vander e ampliou o desgaste dentro do grupo político alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A decisão teve efeito imediato no tabuleiro político petista e aprofundou a divisão interna, que envolve o próprio Vander e nomes de peso da sigla no Estado, como o deputado estadual Zeca do PT, a deputada federal Camila Jara e a vereadora Luiza Ribeiro.
Segundo apurado, Bumlai comunicou que não aceitaria integrar a chapa diante da falta de controle de Vander sobre ataques internos direcionados à ex-secretária estadual de Cidadania Viviane Luiza (PSDB), pré-candidata a deputada federal.
O empresário, que atua como articulador da pré-campanha de Viviane, já vinha demonstrando desconforto com o ambiente de disputa e tensão dentro do campo político ligado ao governo federal em Mato Grosso do Sul.
O estopim da crise teria sido uma declaração atribuída a Zeca do PT, que afirmou que Viviane teria “comprado” o apoio do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, para impulsionar sua candidatura. A acusação foi interpretada como ofensiva e extrapolando os limites da disputa política, atingindo inclusive um integrante do alto escalão do governo Lula.
A repercussão interna levou ao agravamento do conflito. Irritado com a saída de Bumlai e com o desgaste provocado pela disputa interna, Vander Loubet rompeu politicamente com Zeca do PT e Camila Jara.
Nos bastidores, o deputado federal teria comunicado a aliados de que os dois não contarão mais com seu apoio nas eleições, ampliando o isolamento dentro do próprio campo político.
Lula em MS em meio à crise
O cenário de tensão ocorre às vésperas da visita do presidente Lula a Mato Grosso do Sul, marcada para esta quinta-feira, em Ponta Porã, no Assentamento Itamarati, onde participará da entrega de títulos de regularização fundiária.
A agenda presidencial era vista por aliados como um momento estratégico para reforçar a pré-candidatura de Vander ao Senado e unificar o palanque progressista no Estado.
A crise interna, porém, muda o contexto político da visita. Em vez de demonstrar unidade, o grupo chega dividido ao principal evento político do campo lulista no Estado, com disputas abertas entre lideranças locais.
A aliança formada por PT, PCdoB, PV e PSB, que também envolve nomes como o ex-deputado federal Fábio Trad e a senadora Soraya Thronicke, agora enfrenta um ambiente de desgaste e incerteza.
Nos bastidores, a avaliação é de que a recusa de Bumlai não apenas enfraquece a composição da chapa de Vander, mas também retira parte da articulação política que sustentava sua pré-campanha ao Senado, justamente no momento em que Lula retorna ao Estado.

