O volume de veículos que circulam pela BR-163 em Mato Grosso do Sul voltou a registrar queda no segundo trimestre de 2026, cenário que poderá servir de argumento para um futuro pedido de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão e, consequentemente, para uma nova revisão das tarifas de pedágio.
O balanço financeiro da concessionária Motiva Pantanal mostra que o tráfego entre abril e junho caiu 3,8% em comparação com o mesmo período de 2025, passando de 12,855 milhões para 12,368 milhões de veículos.
A retração ocorre após outro recuo registrado no primeiro trimestre do ano, quando o fluxo de veículos diminuiu 2,6%, de 13,416 milhões para 13,017 milhões. Segundo a empresa, a redução é atribuída ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelas tensões no Oriente Médio após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o que elevou os custos do transporte de cargas e afetou a circulação nas rodovias.
A diminuição do movimento também impactou a arrecadação com pedágios. Nos três primeiros meses do ano, a receita caiu de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões. Entre abril e junho, a redução foi ainda maior, de 5,7%, passando de R$ 105 milhões para R$ 99 milhões. No acumulado do semestre, a arrecadação recuou 3,3%, de R$ 213 milhões para R$ 206 milhões.
Pelas regras dos contratos de concessão, alterações significativas no fluxo de veículos podem justificar pedidos de reequilíbrio financeiro. No caso da BR-163, a possibilidade existe após a repactuação assinada em agosto de 2025, embora um eventual pleito dependa da análise da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Apesar da queda na receita, a concessionária encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de R$ 14 milhões. O resultado representa uma recuperação em relação ao primeiro trimestre, quando havia registrado prejuízo de R$ 1 milhão. Ainda assim, o desempenho está distante dos R$ 510 milhões de lucro obtidos no primeiro semestre do ano passado, período em que os investimentos na rodovia ainda eram reduzidos.
Desde a retomada das obras, a empresa informa ter investido R$ 538 milhões em melhorias no pavimento, desapropriações e ampliação da capacidade da rodovia. Até o momento, foram concluídos cerca de seis quilômetros de terceira faixa nas proximidades de Mundo Novo e outros 5,6 quilômetros de duplicação na região de Campo Grande.
Pedágio sobe 40,5% em agosto
Mesmo com a redução do tráfego, os motoristas enfrentarão um reajuste de 40,5% nas nove praças de pedágio da BR-163 a partir de 5 de agosto.
O aumento é composto pelo primeiro degrau tarifário previsto na repactuação do contrato, responsável por uma elevação de 33,64%, acrescido da correção anual pela inflação, de 5,16%. Como os percentuais são aplicados de forma acumulada, o reajuste final supera 40%.
Pela nova modelagem da concessão, outros aumentos escalonados poderão ocorrer nos próximos quatro anos, desde que a concessionária cumpra as metas de investimento previstas. Ao final desse processo, as tarifas terão acumulado alta superior a 100%.
A Motiva Pantanal argumenta que, mesmo após o reajuste, o pedágio da BR-163 continuará abaixo da média nacional. Segundo a empresa, o custo passará de cerca de nove centavos para pouco mais de 12 centavos por quilômetro rodado, enquanto a média das concessões federais é de aproximadamente 16 centavos e a das rodovias estaduais com pedágio gira em torno de 19 centavos por quilômetro.
A repactuação da concessão prevê investimentos de R$ 9,31 bilhões para modernizar a BR-163 em Mato Grosso do Sul. Entre as principais obras programadas estão a duplicação de 203 quilômetros da rodovia, implantação de 150 quilômetros de faixas adicionais, 23 quilômetros de vias marginais, 467 quilômetros de acostamentos e a construção de contornos em municípios como Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí, Vila São Pedro e Vila Vargas, além da recuperação do pavimento e da renovação da sinalização ao longo de toda a concessão.
