O ex-deputado federal Loester Trutis e a ex-esposa, Raquelle Lisboa Alves, poderão enfrentar processo disciplinar dentro do PL após condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por uso irregular de R$ 776 mil do fundo eleitoral durante a campanha de 2022.
A sigla informou que irá analisar possíveis medidas internas contra o ex-casal. Entre as punições previstas pelo estatuto partidário estão advertência reservada, advertência pública, suspensão e até expulsão.
A decisão do TSE também levou o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) a anular os votos recebidos por Trutis, candidato a deputado federal, e por Raquelle, que disputou vaga na Assembleia Legislativa.
Com a retotalização dos votos, houve alteração na composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Neno Razuk perdeu o mandato, posteriormente assumido por João César Matogrosso, do PSDB.
O presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, afirmou que o partido acompanha as decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à aplicação de recursos de campanha e classificou a condenação como grave.
Segundo a legenda, eventuais medidas serão analisadas pelos órgãos internos da sigla, respeitando o devido processo legal, o contraditório e as normas partidárias.
Durante a campanha de 2022, Loester Trutis e Raquelle Lisboa receberam R$ 1 milhão cada do fundo eleitoral. Os valores destinados ao casal superavam os repasses feitos a outros candidatos do partido tanto para deputado federal quanto para deputado estadual.
As suspeitas sobre irregularidades surgiram após a análise das prestações de contas apresentadas pelos candidatos. O processo teve duração de mais de três anos, desde a denúncia apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral até a decisão definitiva do TSE, proferida em março deste ano. Em todas as instâncias, as condenações ocorreram por unanimidade.
O casal se separou em janeiro deste ano após uma discussão marcada por acusações de ameaças e agressões. Raquelle deixou Mato Grosso do Sul e voltou a morar em Brasília com o filho do ex-casal.
Em fevereiro, a Justiça do Distrito Federal concedeu medidas protetivas em favor de Raquelle Lisboa contra Loester Trutis.

