A retotalização dos votos das eleições de 2022 em Mato Grosso do Sul, realizada nesta quinta-feira (21) pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul, confirmou a perda de uma cadeira do PL na Assembleia Legislativa. Com a nova contagem, o deputado estadual Neno Razuk deixará o mandato e a vaga passará para João César Mattogrosso, suplente do PSDB.
A recontagem foi determinada após a Justiça Eleitoral anular os votos do ex-deputado federal Tio Trutis e de sua ex-esposa, Raquelle Lisboa Alves Souza, condenados por desvio de recursos do fundo eleitoral e lavagem de dinheiro. Juntos, os dois tiveram 32.566 votos invalidados.
A sessão no TRE-MS começou com atraso de aproximadamente 40 minutos devido a problemas técnicos no sistema eleitoral. Técnicos do TSE precisaram ser acionados para liberar o acesso utilizado na retotalização conduzida pelo presidente da Corte, Carlos Eduardo Contar.
A principal consequência da nova contagem ocorreu na Assembleia Legislativa. Sem os 10.782 votos obtidos por Raquelle Souza, o PL perdeu uma das vagas conquistadas pelo coeficiente eleitoral, provocando a saída de Neno Razuk da Casa de Leis.
Na Câmara dos Deputados, a alteração atingiu apenas a ordem de suplência do PL. Antes da decisão, Tio Trutis ocupava a segunda suplência da legenda. Agora, a posição passa a ser de Bethania Kelly Rodrigues da Silva.
Com a redistribuição das cadeiras, o PSDB recuperou espaço na Assembleia Legislativa, garantindo a posse de João César Mattogrosso, atual diretor-adjunto do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul. Ele já havia ocupado cadeira temporária na Alems durante licença do deputado estadual Pedro Caravina.
Segundo informações do TRE-MS, a ata da retotalização já foi assinada e o tribunal prepara o envio do ofício oficial à Assembleia comunicando a substituição. A expectativa é de que a diplomação e a posse ocorram ainda nesta semana.
Além da perda do mandato, Neno Razuk também deixará de ter imunidade parlamentar. Em dezembro do ano passado, ele foi condenado em primeira instância a 15 anos e sete meses de prisão por participação em organização criminosa ligada ao jogo do bicho. Apesar da condenação, ele segue apto a disputar eleições porque o processo ainda não transitou em julgado.
As investigações apontaram que Tio Trutis e Raquelle Souza utilizaram empresas para ocultar movimentações ilícitas de dinheiro público do fundo eleitoral. O esquema investigado movimentou cerca de R$ 776 mil considerados ilegais.
Neno Razuk não participou das atividades da Assembleia nesta semana e, por meio da assessoria, informou que não comentará o caso.

