Dinheiro foi sacado em Ponta Porã; mulher acabou presa por suspeita de tentativa de evasão de divisas, enquanto destino do valor ainda é investigado
Uma funcionária de uma universidade paraguaia ligada ao empresário e candidato a deputado federal Carlos Bernardo (União Brasil) foi presa em flagrante após ser encontrada com R$ 800 mil em dinheiro vivo em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai.
A apreensão ocorreu nesta quarta-feira (23), durante diligência da Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
Segundo a PF, os R$ 800 mil haviam sido sacados de uma conta bancária mantida por uma universidade paraguaia. A funcionária foi abordada com o dinheiro logo após deixar uma agência bancária em território brasileiro.
Diante das circunstâncias, todo o valor foi apreendido e a mulher acabou presa em flagrante pela suspeita, em tese, de tentativa de evasão de divisas.
Agora, a investigação deverá esclarecer quem é o efetivo proprietário do dinheiro, qual seria a destinação dos recursos e se havia intenção de levar a quantia irregularmente para o Paraguai.
Defesa diz que dinheiro compraria ônibus
A versão apresentada pela defesa é de que o dinheiro tinha finalidade comercial.
Segundo o advogado responsável pelo caso, os R$ 800 mil seriam utilizados no pagamento de dois ônibus adquiridos pela empresa. Documentos relativos à suposta negociação foram apresentados à Polícia Federal e deverão ser analisados na investigação.
A funcionária estava acompanhada por um motorista. Conforme a defesa, ele não participou do saque e não sabia previamente qual seria o valor retirado. O homem foi liberado sem pagamento de fiança.
A mulher também deixou a prisão após o pagamento da fiança fixada pela autoridade responsável pelo procedimento.
Possível crime eleitoral não consta da nota da PF
A nota oficial divulgada pela Polícia Federal não menciona compra de votos ou outro crime eleitoral. A ocorrência é tratada oficialmente, neste momento, como suspeita de tentativa de evasão de divisas.
O Campo Grande News, porém, informou ter apurado que uma eventual destinação do dinheiro para compra de votos também poderá ser investigada. A defesa afirma que, durante o procedimento policial, não foi apresentado elemento relacionando os R$ 800 mil a uma candidatura ou à compra de votos.
Portanto, não há até agora confirmação oficial de que o dinheiro seria utilizado eleitoralmente.
Universidade é ligada a candidato
A mulher trabalha para a Universidad Interamericana, sediada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Segundo o Campo Grande News, a instituição é ligada ao empresário Carlos Bernardo, candidato a deputado federal pelo União Brasil.
O nome do empresário já havia aparecido em outra ocorrência policial poucos dias antes.
Em 17 de setembro, uma propriedade rural em Porto Murtinho foi alvo de operação conjunta da Polícia Federal e do Ministério do Trabalho e Emprego. A PF informou que 23 trabalhadores foram encontrados em situação trabalhista irregular durante investigação sobre possível submissão a condições análogas à escravidão e tráfico de pessoas para exploração laboral.
Na mesma ação foram apreendidas 14 armas de fogo e munições, algumas delas com numeração suprimida, conforme a Polícia Federal. A investigação continua para apurar responsabilidades.
Carlos Bernardo confirmou anteriormente ser proprietário da fazenda, mas, segundo reportagem do Campo Grande News, negou envolvimento nas irregularidades investigadas e afirmou desconhecer a presença das armas na propriedade.
