A tarifa de pedágio da BR-163 em Mato Grosso do Sul ficará 40,5% mais cara a partir de 5 de agosto, conforme autorização publicada no Diário Oficial da União desta quarta-feira (22). O reajuste vale para as nove praças administradas pela Motiva Pantanal e representa apenas o primeiro de uma série de aumentos previstos no contrato de repactuação da concessão.
O aumento é composto por 33,64% previstos no novo contrato, firmado em agosto de 2025, somados à reposição inflacionária de 5,16%, elevando o reajuste médio para 40,5%.
Com isso, um motorista de carro de passeio que percorrer os 845 quilômetros da rodovia entre Sonora e Mundo Novo desembolsará R$ 107 em pedágios, contra os atuais R$ 76,10.
Novos reajustes previstos
O contrato de repactuação prevê outros três reajustes tarifários ao longo dos próximos cinco anos, condicionados à execução de aproximadamente R$ 9,3 bilhões em investimentos.
Entre as obras previstas estão:
duplicação de 203 quilômetros da BR-163;
implantação de 150 quilômetros de terceiras faixas;
construção de 23 quilômetros de vias marginais;
cinco contornos urbanos em Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí e dois distritos de Dourados.
Ao final do cronograma, o valor do pedágio por quilômetro deverá praticamente dobrar, passando de 8,2 para 16,4 centavos, sem considerar os reajustes anuais pela inflação.
Poucas melhorias entregues
Apesar do aumento nas tarifas, as melhorias efetivamente entregues até agora são consideradas modestas. Embora existam obras em andamento de duplicação e terceiras faixas em trechos próximos a Campo Grande, Bandeirantes, São Gabriel do Oeste, Coxim, Naviraí e Itaquiraí, apenas cerca de quatro quilômetros de terceiras faixas foram concluídos no extremo sul do Estado.
A concessionária também retomou os serviços de recapeamento, praticamente paralisados desde 2021, mas motoristas ainda enfrentam trechos com forte trepidação e buracos.
Histórico da concessão
A BR-163 está sob concessão desde 2013, quando a então CCR MSVia, hoje Motiva Pantanal, assumiu o compromisso de duplicar toda a extensão da rodovia em Mato Grosso do Sul.
Após concluir aproximadamente 150 quilômetros de duplicação, a empresa interrompeu os investimentos, mantendo apenas a cobrança de pedágio. Em 2025, o contrato foi repactuado, reduzindo a obrigação de duplicação para 203 quilômetros, concentrados principalmente entre Nova Alvorada do Sul e Bandeirantes, incluindo o anel viário de Campo Grande.
Resultado financeiro
Mesmo com a autorização para o aumento das tarifas, a Motiva Pantanal registrou prejuízo líquido de R$ 1 milhão no primeiro trimestre de 2026, revertendo o lucro de R$ 21,1 milhões obtido no mesmo período do ano anterior.
Segundo o balanço da concessionária, o resultado foi influenciado pela queda de 2,6% no fluxo de veículos nas nove praças de pedágio. O número de passagens caiu de 13,4 milhões para 13 milhões de eixos, fazendo a receita com pedágios recuar de R$ 108 milhões para R$ 107 milhões.
A empresa também atribui parte da redução na arrecadação ao desconto de 5% concedido aos usuários de TAG, benefício previsto na repactuação do contrato.
