Um empresário ingressou na Justiça pedindo indenização por danos morais após as filhas adolescentes não conseguirem assistir ao show da banda Guns N’ Roses, realizado em Campo Grande. Segundo ele, o congestionamento no acesso ao Autódromo Internacional impediu a entrada no evento, frustrando a expectativa das jovens.
A ação foi protocolada nesta quinta-feira (30) por Renato Dantas Richeti, que responsabiliza a Prefeitura de Campo Grande, além das empresas Santo Show e Mercury Concerts Ltda., pela desorganização. O show ocorreu no dia 9 de abril e foi marcado por um congestionamento de grandes proporções nos arredores do autódromo.
De acordo com o advogado Robson Rodrigo Ferreira de Oliveira, o evento tinha muitos adolescentes, de 15 e 17 anos, que viajaram de Dourados até a Capital. O pai afirma ter gasto cerca de R$ 3,6 mil com ingressos e despesas da viagem, planejada com antecedência.
Mesmo saindo no horário, a família ficou presa no trânsito e não conseguiu acessar o local. A defesa aponta que, às 21h, apenas 16 mil das 35 mil pessoas previstas haviam entrado no autódromo, embora o show estivesse marcado para começar às 20h30.
O processo sustenta que houve falhas no planejamento logístico, citando problemas como acesso único ao local pela BR-262, exigência de leitura de QR Code para estacionamento e descumprimento do plano de mobilidade. O congestionamento teria chegado a 14 quilômetros, forçando parte do público a seguir a pé por longas distâncias.
A ação também menciona a morte de um ambulante de 36 anos, que sofreu um infarto nas imediações do evento. Segundo o relato, o atendimento de emergência teria demorado mais de uma hora devido ao trânsito intenso.
Para o advogado, as adolescentes foram privadas de uma experiência única, sem qualquer tipo de suporte ou orientação por parte dos organizadores. Ele argumenta ainda que o município falhou ao autorizar um evento de grande porte em local com acesso limitado, sem garantir medidas adequadas de organização viária.
A defesa rebate a justificativa de que o transporte seria de responsabilidade dos participantes, afirmando que a gestão do trânsito é atribuição do poder público. O empresário pede indenização de R$ 15 mil para cada filha. O caso será analisado pela 3ª Vara de Fazenda Pública de Campo Grande.
