
Há meses o Brasil vive o clima da eleição presidencial. Os principais candidatos já estão nas ruas, ocupam as redes sociais, concedem entrevistas e mobilizam apoiadores. Todos sabem quem são os protagonistas da disputa. O que ainda ninguém sabe, com clareza, é o que exatamente pretendem fazer se chegarem ao poder.
Faltam poucos meses para a eleição, e o debate continua dominado por críticas, ataques pessoais, disputas ideológicas e discussões sobre o passado. O futuro, que deveria ser o centro da campanha, permanece em segundo plano.
O eleitor tem o direito de conhecer propostas concretas. Não promessas genéricas, nem frases de efeito. Propostas que possam ser executadas, com metas, prioridades e fontes de financiamento. Governar um país do tamanho do Brasil exige mais do que discursos bem elaborados.
Como reduzir a violência? O que fazer para melhorar a qualidade da educação pública? De que forma diminuir as filas da saúde? Como simplificar o sistema tributário? Quais medidas serão adotadas para estimular investimentos, gerar empregos e controlar os gastos públicos? Essas são perguntas que continuam esperando respostas.
É claro que divergências ideológicas fazem parte da democracia. Elas sempre existirão. O problema é quando a eleição passa a ser apenas uma disputa entre adversários, e deixa de ser uma discussão sobre soluções.
O Brasil enfrenta problemas antigos demais para continuar vivendo apenas de narrativas. A população quer saber como cada candidato pretende enfrentar o déficit das contas públicas, melhorar os serviços públicos, reduzir a burocracia e recuperar a confiança na economia.
Também seria saudável que os candidatos explicassem não apenas o que pretendem fazer, mas o que deixarão de fazer. Recursos públicos são limitados. Escolher prioridades significa, inevitavelmente, abrir mão de outras iniciativas. Essa sinceridade faz parte da boa política.
Campanhas eleitorais costumam produzir muitas promessas e poucos compromissos. Depois da posse, a realidade aparece, e grande parte das promessas desaparece junto com os palanques. Talvez por isso tantos brasileiros tenham se tornado descrentes da política.
A eleição que se aproxima oferece uma oportunidade importante para mudar essa lógica. Em vez de medir quem grita mais alto ou quem produz o melhor vídeo para as redes sociais, seria interessante comparar projetos de governo, cronogramas, prioridades e resultados esperados.
O Brasil precisa discutir menos pessoas e mais ideias. Menos slogans e mais planejamento. Menos marketing e mais responsabilidade.
Ainda há tempo. Os candidatos podem elevar o nível do debate e apresentar ao eleitor aquilo que realmente interessa: propostas claras, viáveis e capazes de melhorar a vida dos brasileiros. A campanha está em andamento. Agora falta começar a discutir o país que cada um pretende construir.
