Mato Grosso do Sul contabilizou, no primeiro trimestre de 2026, o segundo menor número de crimes letais dos últimos dez anos, com 120 ocorrências, conforme dados da Secretaria de Estado de Três presídios de MS aparecem entre os mais superlotados do país, aponta levantamento
Levantamento do Cadastro Nacional de Inspeções em Estabelecimentos Penais (Cinep), divulgado pelo Portal Geopresídios, indica que Mato Grosso do Sul possui três unidades prisionais entre as mais superlotadas do Brasil.
O principal problema identificado é o excesso de detentos em relação à capacidade das unidades. Na Penitenciária de Segurança Máxima de Naviraí, localizada no sul do Estado, a taxa de ocupação ultrapassa 300%. O presídio, que tem capacidade para 254 internos, abriga atualmente 775, o que representa 301,5% acima do limite previsto.
Outras duas unidades da região sul também enfrentam situação semelhante. No Estabelecimento Penal de Japorã, são 50 vagas disponíveis para uma população de 130 presos, índice 260% superior à capacidade.
A Penitenciária Estadual de Dourados também figura na lista das mais críticas do país. A unidade, projetada para 700 detentos, abriga cerca de 1.700 pessoas, o que representa uma superlotação de 240%.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que os dados do levantamento não estão atualizados. Segundo o órgão, a capacidade das unidades de Naviraí e Dourados é maior do que a apontada, embora os números revisados não tenham sido divulgados.
Como parte das medidas para enfrentar o problema, o Estado prevê a construção de quatro novas unidades masculinas de regime fechado, que devem criar 1.632 vagas. Três dessas obras já estão em fase de licitação. Além disso, foram criadas recentemente 186 vagas no interior e 136 na Capital, com previsão de ampliação de mais 64 vagas.
De acordo com a Agepen, a alta taxa de ocupação no sistema prisional está diretamente ligada ao número de prisões por tráfico de drogas, que corresponde a cerca de 35% dos detentos. A localização geográfica de Mato Grosso do Sul, na fronteira com Paraguai e Bolívia, também contribui para esse cenário, já que o Estado possui aproximadamente 1,5 mil quilômetros de divisas internacionais, frequentemente utilizadas como rota por organizações criminosas.
Somente no primeiro trimestre de 2026, entre janeiro e março, foram apreendidos 94.887,61 quilos de entorpecentes no Estado.Justiça e Segurança Pública (Sejusp). O resultado representa redução em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 139 casos, ficando acima apenas do menor índice da série histórica, observado em 2021, com 119 registros.
O levantamento considera o período entre 2017 e 2026 e reúne os crimes classificados como Mortes Violentas Intencionais (MVI), conceito adotado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A categoria engloba homicídio doloso, feminicídio, latrocínio e lesão corporal seguida de morte — ocorrências que têm em comum o desfecho fatal, independentemente da tipificação penal.
Na comparação com o início da série, em 2017, quando foram contabilizados 192 casos, o volume registrado em 2026 é 37,5% menor.
Entre os tipos de crime, o destaque na redução foi o homicídio doloso, que caiu de 125 registros em 2025 para 108 neste ano, uma diminuição de 13,6%. O latrocínio também apresentou melhora, com nenhum caso registrado no período, frente a três ocorrências no primeiro trimestre do ano passado.
Por outro lado, o feminicídio teve leve aumento, passando de 7 para 8 casos, enquanto a lesão corporal seguida de morte manteve estabilidade, com quatro registros em ambos os períodos analisados.
