Anunciada como a maior apreensão de cocaína impregnada em madeira da história do Brasil, a Operação Timber Shield terminou em constrangimento para os órgãos envolvidos. Laudo pericial definitivo da Polícia Federal confirmou que não havia qualquer vestígio de cocaína nas 260 toneladas de madeira apreendidas em Corumbá, encerrando uma investigação que mobilizou autoridades brasileiras, bolivianas e norte-americanas e que já vinha sendo contestada por exames preliminares obtidos anteriormente.
O laudo definitivo da Polícia Federal colocou um ponto final na principal suspeita que motivou a Operação Timber Shield. Após análises laboratoriais de alta precisão, os peritos concluíram que nenhuma das amostras retiradas da carga continha cocaína ou qualquer outra substância entorpecente.
A conclusão confirma o que já havia sido apontado por testes preliminares realizados pela própria Polícia Federal em Corumbá e por laudos da Polícia Boliviana, documentos divulgados anteriormente que já indicavam resultado negativo para drogas.
Durante a perícia, especialistas utilizaram diferentes metodologias de identificação química, entre elas espectroscopia Raman, teste de Scott, cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas e espectroscopia na região do infravermelho. Todas as técnicas apresentaram o mesmo resultado: ausência total de cocaína.
Além das três amostras inicialmente encaminhadas ao laboratório, os peritos coletaram outras nove amostras diretamente da carga retida no Porto Seco de Corumbá — cinco de serragem e quatro de fragmentos de madeira. A inspeção contou com apoio de cães farejadores, militares do Exército, da Marinha e do Corpo de Bombeiros. Nenhum dos materiais apresentou qualquer vestígio de entorpecentes.
O laudo também destaca que a carga era formada por madeira de aroeira (Astronium urundeuva), espécie de alta densidade e baixa capacidade de absorção de líquidos. Segundo os peritos, essa característica torna o material inadequado para servir como suporte à impregnação de soluções contendo cocaína.
Nas respostas encaminhadas aos investigadores, a Polícia Federal foi categórica ao afirmar que os exames “resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes”, acrescentando que o material analisado “não se tratava de material suporte contendo substância entorpecente”.
Investigação começou com anúncio de apreensão histórica
A investigação teve início em 21 de junho, quando a Receita Federal anunciou a apreensão de cerca de 260 toneladas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sob suspeita de estarem impregnadas com cocaína líquida. Na ocasião, a operação foi apresentada como uma possível descoberta de uma nova modalidade de tráfico internacional de drogas.
No entanto, poucos dias depois, começaram a surgir dúvidas sobre a existência da droga. Primeiro, testes realizados pela própria Polícia Federal em Corumbá deram resultado negativo. Em seguida, documentos da Polícia Boliviana revelaram que inspeções feitas antes da entrada da carga no Brasil também não encontraram qualquer substância ilícita.
Mesmo diante desses indícios, os caminhões permaneceram retidos durante semanas no Porto Seco de Corumbá, provocando prejuízos às transportadoras responsáveis pela carga, que relataram gastos com armazenagem e impactos nas operações comerciais enquanto aguardavam a conclusão da perícia.

