A bebê Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de apenas um mês, voltou ao convívio da família na tarde desta quinta-feira (13), em Campo Grande, após a Justiça autorizar sua entrega aos familiares. A decisão ocorreu depois de a Polícia Civil concluir que a mãe da recém-nascida, uma adolescente de 17 anos, não teve participação no desaparecimento da filha.
A criança foi entregue à família por volta das 14h30. Desde que havia sido localizada no Paraguai, Ayla permanecia sob acolhimento e aguardava uma determinação judicial para retornar aos familiares.
Durante a investigação, a Polícia Civil chegou a analisar a possibilidade de envolvimento da adolescente nas circunstâncias que levaram ao desaparecimento da recém-nascida. Com o avanço das diligências, porém, essa hipótese foi descartada.
A conclusão de que a jovem não participou do crime foi considerada pela Justiça ao autorizar a reintegração da criança à família.
Bebê estava acolhida
Ayla havia retornado para Campo Grande na terça-feira (12), depois de permanecer em uma unidade de acolhimento infantil em Ponta Porã, município na fronteira com o Paraguai.
Mesmo de volta à Capital, a bebê ainda não poderia ser entregue imediatamente à família porque o procedimento dependia de autorização judicial.
Enquanto a criança permanecia acolhida, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) informou que ela estava em segurança e passava bem. O endereço da unidade foi mantido em sigilo como medida de proteção à recém-nascida.
Em casos desse tipo, a criança pode ser transferida entre unidades de acolhimento, mas a entrega aos familiares depende de uma decisão da Justiça. Com a autorização concedida nesta quinta-feira, Ayla pôde deixar o acolhimento.
Entenda o caso
O desaparecimento de Ayla ocorreu na quinta-feira (6). Conforme o relato apresentado à polícia, a mãe da bebê teria sido atraída por uma mulher até uma residência com a promessa de conseguir uma oportunidade de emprego.
No local, segundo a versão da adolescente, ela e a irmã, de 13 anos, foram ameaçadas e mantidas como reféns enquanto um casal levava a recém-nascida.
Ayla foi localizada na madrugada de domingo (9), em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, cidade que faz fronteira com Ponta Porã.
A localização ocorreu durante uma ação conjunta envolvendo policiais da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e autoridades paraguaias.
A recém-nascida estava em uma residência no bairro Virgen de Caacupé, acompanhada de Suzilaine da Graça Costa e Alex Melo de Abreu. Durante a abordagem, Alex teria apresentado uma identidade falsa em nome de Weliton Aparecido Lopes.
Contra ele havia um mandado de prisão, além de uma pena de 19 anos a cumprir por homicídio cometido no Amazonas. Suzilaine, por sua vez, foi reconhecida por familiares da mãe de Ayla como a mulher que teria oferecido a suposta oportunidade de emprego à adolescente.
Depois de ser encontrada, Ayla ficou sob responsabilidade do Conselho Tutelar de Ponta Porã e foi encaminhada para uma unidade de acolhimento infantil. Posteriormente, foi transferida para Campo Grande, onde permaneceu protegida enquanto aguardava a decisão judicial.
A investigação é conduzida pela Depac de Campo Grande, sob responsabilidade da delegada Anne Karine Trevisan, que esteve em Ponta Porã na segunda-feira (10) para ouvir o casal encontrado com a criança.
Com a Polícia Civil descartando a participação da mãe no desaparecimento e a autorização concedida pela Justiça, Ayla voltou para a família uma semana depois de ter sido levada.

